The Ego On Our Spiritual Journey I Series 2008 A – “O Ego”

The Ego On Our Spiritual Journey 1 TALKS SERIES 2008 A · JAN–MAR

LAURENCE FREEMAN OSB

O Ego

Essas são palavras de Jesus no Evangelho de São Lucas. “Então se dirijiu à todos: Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome sua cruz, cada dia, e me siga. Pois quem quiser salvar sua vida a perderá, e quem perder sua vida por causa de mim a salvará. Como efeito, de que adiante a alguém ganhar o mundo inteiro, se vier a perder-se e a arruinar a si mesmo?” (Lc 9:23-26, tradução CNBB)

O grande obstáculo nessa jornada, seguir a Cristo, é a maneira pela qual erradamente nós nos identificamos com nosso ego. Talvez nós, como pessoas religiosas, assumamos um pouco exageradamente que seja uma boa coisa deixar o ego para trás. Uma vez eu estava conversando com uma mulher de negócios muito bem sucedida em Nova York, que foi a uma palestra que eu estava dando lá. Eu dei uma palestra sobre deixar o ego para trás e você não pensaria que alguém realmente poderia objetar. Ela veio depois e me disse “Que absurdo você está falando! Eu não quero deixar o meu ego para trás”, ela disse “Eu sou o meu ego”. Ao menos eu acho que ela tinha uma noção clara do que ela acreditava. Nós, a maioria de nós, nos identificamos com o nosso ego inconscientemente. Como nós fazemos esse trabalho da oração, passamos a compreender nós mesmos, nosso ego, mais claramente. Vemos que o ego é tanto a causa como o estado do sofrimento. O Buda diz, “A vida é sofrimento e o sofrimento é a vida”. Ele está se referindo, suponho, ao ego.

O ego manifesta a si mesmo de muitas formas e se coloca em tudo. Pode entrar em nosso trabalho espiritual, em nossa jornada espiritual. Nós não perdemos o ego quando assumimos uma vida religiosa. Nós não perdemos o ego quando começamos a orar. Há certos sinais da atividade do ego que nos torna mais conscientes de como nos tornamos mais simples.

O primeiro sinal do ego é o desejo de ser grande, o desejo, por exemplo, de ser o número um, o desejo de dominar. Depois há o desejo de tomar, o ego quer ter ao invés de dar ou de deixar ser. O ego quer manter, reter, agarrar, possuir, não deixar ir. O ego deseja avançar, conseguir mais, ser mais, saber mais, possuir mais. O ego deseja reter tudo mesmo à custa dos outros, colocando-nos, em outras palavras, antes que os outros. Essas características do egoísmo são características de cada atividade, física, espiritual, mental, com as quais podemos estar envolvidos. Então há o verdadeiro perigo, particularmente para pessoas religiosas, de uma espiritualidade egoísta. Uma espiritualidade que deseja ser grande, que deseja ter uma experiência de Deus ou a santidade, para mantê-la, para ter mais, para retê-la mesmo à custa de outros.

Os escritos dos Padres do Deserto fazem comentários constantes sobre os perigos de uma espiritualidade egoísta. Talvez por isso São João da Cruz nos diz para desistir de todos os desejos, mesmo o desejo de Deus. Não do amor de Deus, não o nosso anseio inato de Deus do qual não podemos desistir, mas o desejo de Deus – o desejo de possuir, de controlar, de ter, de manter Deus. Nesse caminho de oração, na ascese simples da palavra única, nós atacamos a “ raiz do pecado” , como o livro a “Nuvem do Não Saber” chamou, a raiz do nosso ego. Nós deixamos ir. Há uma frase dos Alcoólicos Anônimos (Let go, let God.)

É claro, o ego é um estágio natural do desenvolvimento de nossa humanidade. O ego se desenvolve em uma determinada idade em uma criança, e o ego é uma força necessária e útil, ou ferramenta, instrumento da consciência. Sem ego não seriamos capazes de nos comunicar uns com os outros. Nós não seriamos capazes de nos relacionarmos uns com os outros. Não é que o ego seja ruim em si. Não há nada na natureza humana que seja ruim em sí. Assim, Jesus, que foi plenamente humano deve ter tido um ego. E ainda assim Jesus não pecou: um homem como nós em todas as coisas, mas sem pecado.

Como nós podemos entender o problema do egoísmo? Todos esses obstáculos, todas essas faltas, podem entrar em nossa vida espiritual. Mas se olharmos para Jesus, o que vemos, creio eu, é um homem que certamente tinha um ego, que podia dizer “eu” e tinha uma vontade e que poderia desistir do seu ego e de sua vontade no final de sua vida: “Não como eu quero, mas como você quer”. Então nós vemos um homem que tinha um ego, e claramente um forte ego, mas um homem que não pecou, porque ele nunca identificou a si mesmo com seu ego. Ele nunca disse “Eu sou meu ego”. Essa foi a grande tentação que ele passou no deserto. Identificar-se com as tendências do egoísmo. Ele foi tentado. O ego claramente manifestou nele suas tendências, mas ele nunca identificou seu verdadeiro eu com o ego. Nós que temos pecado no trabalho de nos separarmos dessa identificação, quebrar essa identificação, simplesmente acordarmos, em outras palavras, para o fato de que temos um ego, e ele é um instrumento útil, mas não é aquilo que eu sou. O ego não é o minha verdadeira e mais profunda identidade.

Essa realidade é um grande desafio para a cultura moderna, para nossos contemporâneos, porque o ego é hiperativo em nossa sociedade. O ego é a grande força da sociedade tecnológica e de consumo. A sociedade tecnológica que quer estar no controle de tudo. E uma sociedade de consumo que é dominada pelo desejo. O que temos que particularmente sermos cuidadosos em uma tal cultura é a criação de uma espiritualidade consumidora, ou uma espiritualidade tecnológica, uma espiritualidade que venha a se identificar com técnicas psicológicas por exemplo. Ou uma espiritualidade que venha a se identificar somente com os desejos de um entreter espiritual, ou prazeres espirituais.

Essa é a função do ascetismo em uma sociedade como a nossa. E a compreensão de que o ascetismo, e a ascese da vida cristã, é a oração. O ascetismo é o caminho pelo qual nós recuperamos a vontade primária na pessoa humana. A vontade primária é a nossa inclinação natural, nossa tendência em direção a Deus. Aquilo que os antigos padres cirtercienses chamaram de “pondus”, a gravidade natural na alma atrai para Deus. A finalidade do ascetismo não é a de esmagar a vontade ou a de punir, mas a de limpar o caminho, remover as pedras, para revelar a mente, e para revelar a bondade essencial no centro da pessoa humana. De modo que aquilo que fazemos seja certo e o que desejamos fazer seja certo. Nesse caminho de oração, na ascese simples da palavra única [mantra], nos atacamos a raiz do nosso ego.

 Tradução livre deste blog.

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