Spirituality In A Secular Age Serie 2009 B – “Vida espiritual em uma era secular”

Spirituality In A Secular Age – TALKS SERIES 2009 B
LAURENCE FREEMAN OSB

Vida espiritual em uma era secular (

AUDIO MONTAGEM)

O que tem acontecido nos tempos modernos é o crescimento de uma mentalidade secular que apresenta problemas e oportunidades particulares, desafios para nossa jornada espiritual. Como podemos viver uma vida espiritual em uma era secular? Vamos pensar no que nós queremos dizer com secular. Não significa apenas a rejeição da crença em Deus. Na verdade parece que a maioria das pessoas acreditam em Deus, eles apenas não querem ter um rótulo religioso colocado sobre sua crença. A maioria das pessoas não dizem que não são espirituais, a maioria das pessoas dizem que não são religiosas. A mentalidade secular certamente implica que um certo discurso sobre Deus na vida publica, ou educacional, ou em nossas instituições, desapareceu – nós não reconhecemos Deus, nós não falamos sobre Deus em uma sociedade polida, empresarial, ou coisa assim. Esse é um aspecto da era secular. Talvez porém possamos entender como nos reconectar à dimensão espiritual de nossas vidas em uma idade secular olhando para os outros aspectos daquilo que entendemos como era secular.

Uma delas é a questão da escolha. Somos capazes de escolher coisas que nunca pudemos escolher antes. Podemos escolher onde queremos viver, podemos escolher com quem queremos casar, podemos escolher que tipo de assunto queremos aprender na universidade, que tipo de carreira queremos seguir. Nós podemos mudar nossas carreiras quando quisermos, mais ou menos, mudar de sexo se assim quiser. E temos um sentido de sermos capazes de mudar quem somos e como vivemos, com a liberdade que teria sido certamente inconcebível para nossos avós. Os psicólogos nos dizem que o nível de felicidade diminui à medida que a multiplicidade de escolhas aumenta. Quanto mais escolhas você tem, menos feliz você é.

Espiritualmente falando, isso é incompatível com o dilema da verdade? É verdade universal? Nesse caso, como pode ser local? Como pode ser local e global ao mesmo tempo? Se eu sou um cristão posso dizer que isso é verdadeiro para mim? E quanto aos budistas? Eles são verdadeiros? Vou negar que eles são verdadeiros? Se eu disser que ambos tem a verdade ou aspectos da verdade, eu estaria relativizando a verdade? Mas o quê eu quero é a verdade absoluta. A questão da escolha também nos afeta espiritualmente porque nós temos que nos comprometer.

A palavra “fé” é frequentemente confundida com a palavra “crença”. Mas a palavra “fé”, se você olhá-la no Novo Testamento, é muito mais sobre relacionamento. Assim como falamos de um casamento fiel ou uma amizade fiel, se trata de um relacionamento que você suporta através dos bons e maus momentos, e perseverando nos maus momentos você então pode comemorar os frutos da alegria da resistência. Dizer que eu serei fiel a você por uma semana não é exatamente uma grande notícia. Assim, a fé implica algum dom incondicional de si mesmo. A fé, portanto, implica algum tipo de compromisso, não necessariamente um compromisso legalista, mas um compromisso pessoal, um dom de si.

E é precisamente isso que nos fazemos na meditação. É por isso que podemos dizer que a meditação existe em toda tradição religiosa. A meditação claramente nos oferece hoje uma sabedoria comum que podemos encontrar no coração de todas as nossas famílias religiosas. Eu posso meditar como um cristão confiante de que há uma histórica, teológica, escriturística e pessoal autoridade e tradição por trás dela. Eu não tenho que ir aos budistas para aprender a meditar, mas eu posso meditar com um Budista, ou com alguém que não tenha fé. E isso é um encontro sério se eu levar a meditação a sério. Há um compromisso sério para tudo aquilo que o ato de meditar implica. Talvez no nível mais simples e mais profundo daquilo que está acontecendo, seja que eu estou sendo fiel a mim mesmo, ao meu verdadeiro eu, e não apenas ao meu confuso ego – desejante e temeroso – mas ao meu profundo eu, para com o mistério que sou para mim mesmo.

O que o Cristão pode dizer a si mesmo como imagem de Deus, eu sou fiel. Não vou quebrar o relacionamento com meu verdadeiro eu. E meu compromisso com a meditação não é algo superficial, um ato de vontade como se manter em uma dieta ou se manter em um curso de línguas até o final, mas sim um verdadeiro compromisso pessoal com o mistério de meu próprio ser e para com aquilo que eu encontro nesse mistério.

Eu penso que um outro elemento secular pode nos ajudar a entender o que a meditação significa nos dias de hoje. Em uma sociedade tradicional, tempo era uma experiência bem complexa, com muitos “tipos” de tempo. Particularmente havia o tempo secular que significava o tempo em que você trabalhava, tempo de fazer dinheiro, tempo de negócios, mas havia também um tempo sagrado. E através dos tempos litúrgicos, das festas, o respeito a essa dimensão sagrada era tecido. Não haviam dias vagos, somente dias sagrados. O tempo sagrado era tecido dentro e fora do tempo comum e isso tem desaparecido amplamente de nossa cultura. É por isso que nossa experiência do tempo é uma fonte de estresse para nós. Nós nunca temos tempo o bastante, nunca temos tempo bastante para fazer tudo que nós gostaríamos de fazer, para fazer todas as escolhas que gostaríamos de fazer. E muito frequentemente o estresse e o sentimento de estar sendo oprimido pela limitação do tempo significa que nós desistimos de tentar fazer alguma coisa. Nós apenas assistimos televisão. Nós desperdiçamos nosso tempo de maneira auto-destrutiva com muita frequência.

Assim, quando o tempo se torna achatado dessa forma, quando sua dimensão sagrada vai sendo erradicada, o que tem acontecido em nossa cultura, onde nós estamos constantemente olhando para nossos relógios, planejando nossa agenda, nós estamos constantemente forçando as coisas. Então nós procuramos algo para substituir aquilo que nós temos perdido. Eu acho que não é suficiente dizer para todo mundo que apenas voltem para a Igreja. Nós respeitamos os tempos litúrgicos e então nós podemos ir até o bar e nos divertir lá depois do culto.

O que podemos fazer é construir nesse nosso deserto secular porque, espiritualmente falando, é um mundo frequentemente muito seco. Nós podemos construir nele ao menos dois períodos de espaço sagrado, de tempo sagrado, que são os nossos tempos de meditação. E se você falar com pessoas que assim tem feito, seja qual for seu grau de crença religiosa que eles possam ter, uns mais, outros menos, eles vão dizer que isso mudou suas vidas. Muitos deles irão dizer: “Quando eu comecei a meditar eu sei que me disseram que eu deveria meditar duas vezes por dia, mas eu não poderia fazer duas vezes. Eu poderia fazer a primeira meditação pela manhã; estipulei um momento para tal e eu era 90% fiel a ele. Mas minha segunda meditação eu não conseguia realizar porque no fim do dia, a tardinha ou a noite, eu estava ocupado, ou muito distraído, ou ainda muito cansado para meditar. Eu nunca consegui incluir a segunda meditação”. Até que você o faça (e não há nada mais natural que colocar a segunda meditação no dia), pode levar um longo tempo para que você alcance isso, mas se você o fizer, então você sentirá uma mudança notável em sua experiência do tempo, e as outras 23 horas do seu dia, ou das horas do dia que passa acordado, serão realizadas em um equilibrio sagrado porque aqueles tempos de meditação são tempos verdadeiramente sagrados.

O terceiro elemento do Secular é o nosso senso de si próprio que tem evoluído. O senso moderno de si mesmo é muito diferente daquele si mesmo tradicional ou antigo, um senso de si mesmo que foi incorporado, incorporado em uma cultura particular: ser de um lugar, pertencer a uma comunidade local com tradição local, ser conhecido de um certo grupo de pessoas, ser reconhecido por eles, conhecer coisas sobre eles e ser capaz de partilhar coisas com eles. Há uma grande necessidade de ser local tanto quanto de ser um cidadão global. Nós temos perdido o enraizamento de nosso senso de identidade dentro de uma cultura particular, ou comunidade, ou religião ou grupo local.

Assim novamente nós nos deparamos com um grande desafio, mas também uma oportunidade como pessoas seculares ou pessoas numa era secular, mesmo em termos de nosso auto-conhecimento. Quem sou eu? Quando você fala com a maioria dos psicólogos ou terapeutas, é essa questão de identidade e sentido que levam as pessoas ao divã. E a meditação responde a essa situação porque, como a tradição tem dito desde o inicio, a meditação é um modo de auto-conhecimento. E auto-conhecimento, de acordo com os Padres do Deserto, os primeiros mestres de espiritualidade Cristã do século IV, era mais importante que o poder de fazer milagres. Mais importante que os milagres de nossa tecnologia é o nosso auto-conhecimento: Quem sou eu? E quem eu sou não pode ser reduzido apenas a auto-consciência psicológica. Isso pode ser muito importante como parte do nosso processo de cura, auto-conhecimento, mas há algo mais profundo no auto-conhecimento que apenas informação e discernimentos psicológicos. No auto-conhecimento nós entramos no mistério do ser, de nosso próprio ser e da base do ser.

Portanto essas são algumas reflexões sobre a forma de entender a meditação como um caminho de sabedoria, como um caminho espiritual para nós mesmos numa era secular.

Tradução livre deste blog.
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