A importância das emoções – 29/04/2012 (Kin Natajara)

A importância das emoções

Nós temos visto a ênfase que Evagrius dá em tornarmo-nos conscientes do que são os nossos ‘demônios’, reconhecê-los para, assim, tirarmos seu poder. Ele falou sobre a purificação das emoções. Purificar e transfigurar as emoções de volta ao sua condição natural de energia doada por Deus:


“A vida ascética é o método espiritual para purificar a parte emocional da alma” (Evagrius)

 É importante ter em mente que Evagrius não fala se suprimir as emoções mas de purificar aquelas que tem sido distorcidas pelas necessidades materiais e emocionais do ego. Na verdade elas precisam se expressas: isso é explicado melhor por Máximo, O Confessor, quando diz: “Você não cresce ao evitar o conflito, a irritação ou o aborrecimento, mas ao tentar delicadamente esclarecer os mau entendidos e, se isso não for possível, tendo a outra pessoa em oração, mantendo silêncio, se recusando absolutamente a falar mal dela.

Quando Deus criou a humanidade, ele não só nos deu um instinto de sobrevivência, mas também uma alma, a sede de emoções, para aprofundar e enriquecer nossas experiências. Mas a parte emocional da alma pode ser tanto uma ajuda como uma barreira. Vemos que são obstáculos quando são dirigidos de forma predominante por desejos materiais e necessidades não satisfeitas, elas obscurecem a visão e dificultam o acesso ao que os filósofos chamam de “nous”, a inteligência intuitiva, a maior parte da alma, e nosso ponto de comunhão com a Realidade Divina.

A vitória sobre os maus pensamentos levam a “Apatheia”, um estado de equilíbrio emocional, serenidade e harmonia. Então nós não somos mais dominados pelos apaixonados desejos do ego e podemos nos tornar conscientes da luz do Divino em nós. Isso nós permite viver na Presença Divina e intuitivamente “saber” como se relaciona e influencia a realidade ordinária.

O Reino de Deus é a Apatheia da alma, juntamente com o verdadeiro conhecimento das coisas existentes” (Evagrius)

Esta harmonia, a reintegração de todo o seu ser e a consequente liberdade espiritual, move o asceta ao nível dos anjos. Como vimos, os ‘demônios’ estão lá para nos atrapalhar e os ‘anjos’ para nos ajudar. Portanto se o asceta atingiu esse estado, ele se torna cada vez mais preocupado com o bem estar dos outros e se transforma em amor.

Agape – amor incondicional – é fruto da Apatheia”

A ‘praxis’, portanto, jamais é vista em termos de uma vantagem espiritual própria, mas ao contrário, a experiência de amor incondicional na visão de Deus leva a um amor compassivo para com todos, levando a uma união e harmonia com tudo. “Feliz é o monge que vê o bem estar e o progresso de todos os homens como se fosse seu.

 Kin Natajara

Tradução livre desse blog. Texto original no site oficial da Comunidade Mundial para Meditação Cristã: http://www.wccm.org/node/876

Outros textos da comunidade

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s