6 – Uma disciplina simples de fé

Uma disciplina simples de fé

John Main também viu que a qualidade de nossos relacionamentos é o verdadeiro teste e medida de progresso na meditação. Esse progresso é realizado pela Graça e não pela técnica. Mas nós devemos fazer a nossa parte para receber o dom. Precisamos de disciplina, perseverança e fidelidade. Isso leva tempo. É o sentido do tempo. Nós respondemos ao chamado da Graça não através da mera técnica mas pela disciplina da fé. Dessa forma logo encontramos o mistério do amor atuando em nossa meditação. Santo Irineu disse “o começo é a fé, o fim é o amor e a união dos dois é Deus” . Para John Main, assim como para a tradição Cristã de muitos séculos da qual ele falava, uma disciplina livremente escolhida é o caminho para liberdade e expansão. A alternativa à uma disciplina libertadora é permanecer escravo do ego. Uma disciplina espiritual é necessária se quisermos nos libertar da tirania do egoísmo, do apego, do medo, da compulsividade, da ilusão e autofixação.

John Main sempre deixou claro que a meditação é um caminho de fé, que é simples e que requer prática diária. O compromisso mínimo, diz ele, é meditar a cada manhã e cada noite. A participação em um grupo de meditação uma vez por semana ajuda imensamente e é outra disciplina externa recomendada por John Main. A disciplina interior é a fidelidade, a repetição contínua do mantra durante a meditação. A maioria de nós inicia a disciplina com entusiasmo mas rapidamente somos desanimados pelas distrações ou pela falta de algum tipo de experiência que estejamos esperando. O grupo nos ajuda a evitar as muitas interrupções da disciplina. Embora seja uma disciplina exigente ela não é fanática, mas humana e gentil, que aprendemos em nosso próprio ritmo. Geralmente nós começamos e, então, paramos e começamos novamente muitas vezes. Leva tempo, talvez anos para algumas pessoas, para incorporar essa prática duas vezes ao dia em sua vida cotidiana.

É exatamente por isso que o grupo de meditação é tão valioso. Assim como o Espírito “vem em ajuda de nossa fraqueza“. Não são muitos que possuem uma boa autodisciplina. É preciso tempo, amizade e incentivo contínuo para se construir um bom hábito. Através do apoio e do exemplo de outros nós chegamos a um discernimento que nasce de nossa própria experiência de que a meditação é simples mas não é fácil; uma afirmação da vida e não uma negação; encarnada e não abstrata; mais do que tudo é uma forma de amor. Por todas essas razões John Main incentiva a qualquer um que queira aprender a meditar, aproveitar as dádivas de uma comunidade partilhando sua jornada de oração.

Isso explica a formação de mais que dois mil grupos de encontros semanais nas paróquias, escritórios, hospitais, asilos, presídios, faculdades, escolas e universidades, favelas e abrigos para moradores de ruas.

 

Dom Laurence Freeman
Uma Pérola de Grande Valor

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