4 – Porquê os grupos de meditação hoje são tão importantes

Porquê os grupos de meditação hoje são tão importantes

Em qualquer projeto nós normalmente precisamos de uma equipe para nos apoiar com os diversos talentos individuais de seus membros. Assim, no trabalho da contemplação, precisamos de uma comunidade para nos ajudar a iniciar e a perseverar. A meditação, como John Main sabia, cria comunidade porque ela revela como nós estamos todos conectados e como nos desenvolvemos com interdependência. O grupo de meditação ilustra essa verdade. Não há nada de novo no fato de Cristãos se reunirem para rezar. É algo que está sempre se renovando. Dizia-se da pequena igreja de Jerusalém, que se formou após a morte e ressurreição de Jesus, que “toda comunidade era um só coração e alma, eles se uniram em oração contínua”. Podemos ver isso nos grupos de meditação hoje. Nas últimas décadas tem ocorrido uma transformação espiritual do cenário religioso, uma revolução silenciosa, uma revolução em silêncio. Essa transformação tem sido conduzida não por alguns poucos enclausurados, mas por homens e mulheres vivendo no mundo, realizando suas obrigações, trabalhando e criando famílias. Portanto não se trata de uma descoberta acadêmica. A prática da meditação na vida de muitas pessoas tem despertado a consciência de que a dimensão contemplativa da oração está aberta a cada um de nós e é igualmente necessária para todos nós, religiosos e não religiosos. O acesso não é restrito. É um privilégio da graça partilhado com todos pelo Espírito. Mas como em todos os dons do Espírito, devemos fazer a nossa parte.

A contemplação é um dom, e como todo dom ele precisa ser aceito. Se  queremos viver nossa vocação particular na vida diária, com profundidade e significado, nós devemos aceitar de forma ativa o dom de nosso potencial para contemplação, cuidando dele com humilde devoção e fidelidade diária.

Não é novidade que o Cristianismo está em uma turbulenta transição da mentalidade medieval para a mentalidade moderna. Se dermos ouvidos apenas a mídia e aos sociólogos, nós podemos até mesmo concluir que está em declínio terminal. Certamente suas estruturas estão passando por um processo de morte, mas dentro da visão Cristã de morte existe a firme esperança da ressurreição. O grupo de Meditação Cristã é um desses sinais positivos de esperança e vida renovada; um sinal silencioso da autoridade do  Espírito prevalescendo sobre o caos e a ruptura, trazendo nova harmonia e ordem.

A meditação é uma prática universal que nos leva além das palavras, imagens e pensamentos para dentro daquele vazio cheio de fé e de presença, a pobreza de espírito, que nós chamamos de silêncio de Deus. O que é particularmente Cristão nisso é a consciência de que, pela fé, somos levados diretamente para a oração do próprio Jesus. Isso nos leva à uma descoberta transformadora de Sua presença interior (Cristo em você). Quando nós participamos da consciência humana de Jesus, simultaneamente aberta para cada um de nós e para Deus, começamos a ser mais verdadeiramente abertos um ao outro. Nós podemos criar e experimentar a evolutiva união das pessoas no que chamamos comunidade. Tanto como os frutos do espírito aparecem – amor, alegria, paz, longanimidade, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e autocontrole¹ – também aparece a graça de reconhecermos Jesus em nosso eu mais profundo, assim como no outro.

 

¹ –Galatas 5; 22-23 pela edição New American Standard Bible 

Laurence Freeman
Uma Pérola de Grande Valor

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