5 – A Meditação na Renovação da Vida Espiritual

A Meditação na Renovação da Vida Espiritual
Dr.ª Cathy Day

Porque é que aconteceu em Townsville? O que é que aconteceu que tornou possível esta experiência? Foi, provavelmente, porque, neste momento, estamos a trabalhar em circunstâncias culturais radicalmente alteradas. A Austrália tem sido designada como o mais secular dos países do mundo e eu não tenho a certeza que isso seja um elogio. Basicamente, tem a ver com um afastamento da religião organizada, mas é interessante que, por outro lado, os australianos ainda sintam fome de espiritualidade. Gary D. Bouma, professor de “Religião e Sociologia”, na Universidade Monash, diz que os australianos estão em busca da espiritualidade, procurando re-encantar um mundo com que estão desencantados, um mundo cheio de ganância.

Ele reflectia sobre o crescimento da Meditação Cristã como um dos grandes movimentos, se quisermos, da renovação da vida espiritual na Austrália. Mais recentemente, as estatísticas sugerem que apenas 9% dos jovens, entre os 18 e os 25 anos, participa em alguma forma de serviço religioso, no decurso de um ano, na Austrália. Creio que existe uma ideia de que o momento para a religião mudar é agora. Deveria despedaçar-nos o coração ver as pessoas a perder este sentido da profundidade espiritual por que anseiam. Por isso, penso que, nas nossas escolas, onde temos, nalguns casos, mais de 50% de alunos não católicos, ela é, de facto, um grande dom para eles. Seja qual for a sua proveniência religiosa, quaisquer que sejam as suas condições familiares, muitos deles vão para casa e ensinam os pais a meditar. Por isso, há este novo florescimento, está a ocorrer uma renascença, por causa da Meditação Cristã.

E é uma coisa tão poderosa, neste momento. Gastamos 120.000 dólares australianos, por ano, em programas de formação para os nossos professores e pensamos que esse é um óptimo investimento. E isto é somente a formação em Meditação Cristã. Levamo-los para um local bastante bonito e há sempre mais inscrições do que lugares disponíveis. São excelentes oportunidades para os próprios professores experimentarem a meditação, porque, idealmente, gostaríamos que eles se transformassem em meditantes. Não insistimos em que seja preciso meditar para se ser capaz de ensinar meditação. Há pessoas que têm uma visão alternativa sobre o assunto – que apenas pode ensinar meditação quem for, ele próprio, um praticante de meditação. Muitos dos nossos professores tornaram-se meditantes e, de facto, desfrutam dessa experiência. Mas em algumas circunstâncias e, particularmente, com crianças pequenas, o professor ou professora prefere manter os olhos abertos porque isso faz os alunos sentirem-se seguros. Se houver um auxiliar na sala, torna-se muito mais fácil, para o professor, sentar-se e meditar com as crianças.

Uma das coisas realmente interessantes que temos feito e que eu creio que está dando muitos frutos é o nosso retiro para alunos mais velhos. Temos a oportunidade de levar um grupo de alunos de cada uma das escolas secundárias católicas para um retiro em plena floresta tropical, para falar com eles e para lhes proporcionar a experiência da Meditação Cristã, com vista a, no seu regresso às escolas, criarem os seus próprios grupos. Creio que, aos 16 ou 17 anos, muitos dos alunos querem, realmente, ter essa autonomia; querem poder fazer as coisas sem ter por perto um professor a dizer o que devem fazer e como o devem fazer. Repito, está a dar muito fruto. Há um colégio de rapazes que o Bispo Michael (Putney) visitou há duas semanas. Eles têm um grupo de meditação e convidaram o bispo para vir meditar com eles.

Uma das razões por que acho que é uma coisa muito poderosa é que, quando os nossos alunos saem da escola e partem para outras etapas educativas ou para uma actividade laboral, não há coisa alguma que, realmente, os ligue a algo que alimente a sua vida espiritual. Muitos deles não irão aderir a um comunidade religiosa, seja por que razão for. Muitas vezes, nas universidades – garantidamente, na Austrália, damos conta disso – os grupos das capelanias são muito marginalizados e as universidades não encorajam seja o que for que tenha a ver com Deus. Por isso, o facto dos estudantes terem, realmente, este dom da meditação, que podem praticar em qualquer lugar, a qualquer hora, o saberem que podem, realmente, reunir um pequeno número de pessoas à sua volta e criar um grupo de Meditação Cristã, isso constitui um poderoso dom. Podem continuar a alimentar a sua vida espiritual e, talvez, transmitir, igualmente, esse dom aos outros jovens.

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