Estágios de Crescimento

“Alguém poderia, com o objetivo de compreender melhor, identificar três estágios do despertar ao longo desta jornada. Se estes são estágios de crescimento humano ou se são partes da estrutura de qualquer evento particular ou período da vida, não é o que realmente importa. No início do caminho, parece que a coisa mais importante para nós seja experimentar. Precisamos experimentar o máximo possível e vamos explorando em busca de experiência, esfomeados dela, ansiosos por ela. A princípio não é tão importante o que experimentamos, uma vez que sintamos que o conteúdo da consciência esteja maior. O sentido virá mais tarde. O que importa agora é que juntemos todo o material. Neste estágio, é primeiramente a dimensão material ou sensorial da consciência que está sendo despertada e usada para despertar o próximo estágio. Não é mau, mas é incompleto. O grande problema que enfrentamos neste estágio é como podemos experimentar o bastante. Como podemos fazer um pacote de tudo?

Uma vez que nos conscientizamos de que não somos oniscientes e de que não podemos fazer tudo dentro dos limites do potencial humano, acumular parece então ser o caminho errado. Percebemos que nossas esperanças por plenitude estão fadadas ao fracasso neste nível e, em reação, ansiedade e depressão (uma característica deste estágio de adolescência) tomam lugar.

Gradualmente e a penosa custa de nossas ilusões e desejos, que outra dimensão da consciência começa a despontar. Começamos a ver as coisas de uma perspectiva de desapego, e o foco da atenção começa a mudar de experiência bruta para conhecimento integrado. Começamos a viver mais na mente, a descobrir seu incrível poder e riqueza. Parece surpreendentemente como um melhor instrumento para controlar a realidade com maior habilidade e sutileza. Assim começamos tentando adquirir todas as informações que podemos, acumulando trivialidades; então procuramos as idéias principais. Procuramos quais seriam as “idéias-chaves” que serviriam para qualquer fechadura, que abririam todas as portas e compreensão, da verdade. (…)

Aos poucos, a consciência mostra que o escopo do conhecimento mental é infinito. É tão infinito como um círculo ou como os reflexos de dois espelhos, um diante do outro. Mas a infinitude da mente não é eternidade, mas somente uma imagem da realidade.

No encontro da nossa própria natureza como imagem, tocamos as bordas do manto da transcendência. Poderíamos, se pudéssemos escolher, ficar nesse nível de consciêncial mental por toda uma vida, sempre descobrindo novos reflexos e conexões, novos pontos por onde comçar o círculo até notar que essa dimensão não nos satisfaz. Se assim escolhermos, ainda que sabendo da imperfeição dessa dimensão da consciência, haverá o perigo de nos tornarmos cínicos e negadores da verdade absoluta.

Se sabemos disso e não vamos adiante, quase certamente nos tornamos cínicos. Conhecendo as limitações da vida mental, para nós o problema é saber para onde podemos ir daqui? O que podemos fazer?. Se não nos tornamos cínicos, o perigo estaria em nos afastarmos da apaixonada busca da verdade como um todo. Perdemos a esperança. (…)

Permitimo-nos ser levados, não pelo espírito da verdade, mas pela multidão e pelas convenções sociais.

Por isso, o descobrir de um caminho espiritual é um momento tal da graça, seja em qual estágio da vida possa vir a acontecer. Para muitos é somente nesse ponto de quietude que reconhecem o caminho espiritual ao seu lado. O exato caminho no qual reconhecemos o espiritual como o cume do sensorial e mental, parece ser o caminho que devemos seguir. A porta a que chegamos neste caminho espiritual é aquela que havíamos buscando todo o tempo; o ponto no qual estamos hesitantes há muito tempo. Seja lá como acontece o encontro com uma viva tradição espiritual, aí sempre fica o momento decisivo. Torna-se o ponto essencial em torno do qual todos os outros eventos gradualmente orbitam.”


LAURENCE FREEMAN
, “Perder para Encontrar”

Um comentário sobre “Estágios de Crescimento

  1. […] MOMENTO DECISIVO “Poderíamos, se pudéssemos escolher, ficar nesse nível de consciência mental por toda uma vida, sempre descobrindo novos reflexos e conexões, novos pontos por onde começar o círculo até notar que essa dimensão não nos satisfaz. Se assim escolhermos, ainda que sabendo da imperfeição dessa dimensão da consciência, haverá o perigo de nos tornarmos cínicos e negadores da verdade absoluta. […]

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