O desafio é amar tudo

“Pela graça do Espírito, trabalhando dentro da crua experiência e do seu questionamento, é que encontramos o caminho espiritual. Temos o senso de que enfim há um começo real. E de fato é um novo começo (…) Nunca há tédio, depressão ou cinismo quando estamos centrados nesta dimensão dinâmica. Ao contrário, começamos a descobrir não somente as verdadeiras relações entre o mundo dos sentidos e o mundo da mente, mas o universo do coração, o mundo espiritual onde experiência e conhecimento estão juntos. Aqui, conhecer algo é experimentá-lo e experimentá-lo é conhecê-lo com absoluta verdade.

Aqui também enfrentamos o desafio que não é a finitude do que não tem fim ou a tristeza do que é finito, mas uma oportunidade, logo percebida como um confite à plenitude da experiência e ao completo entendimento.

O desafio não é tentar experimentar tudo ou conhecer tudo. É amar tudo.

É um grande dilema humano, até que estejamos firmemente enraizados no coração, o conhecimento e a experiência estejam integrados, e sejamos finalmente unificados. É o dilema da tensão, até mesmo vez por outra o conflito violento, entre o geral e o particular, entre mim e o mundo, entre mim e as outras pessoas.

Até que estejamos enraizados no movimento da peregrinação, até que tenhamos realmente chegado à porta na qual se inicia a nossa jornada espiritual, então o universal sempre parecerá ameaçador,e o particular responderá como se estivesse para ser inundado e devastado. Mas uma vez que tenhamos dado o passo decisivo através do limiar do instinto de sobrevivência – esse é o trabalho da fé expresso no compromisso e na perseverança diária para com o caminho espiritual –  então o universal e o particular não serão sentidos como uma ameaça ou tensão, mas estarão unidos num relacionamento de amor.

Quando vemos somente o universal, entramos na abstração. Estranhamo-nos em nossa própria normalidade e na normalidade do mundo. O mundo da particularidade, dos eventos diários normais, nossa flutuante vida emocional e relacionamentos do dia-a-dia parecer ser demais, muito irritantes e distraídos. Parecem estar atrapalhando. Quando vemos somente o particular, tornamo-nos duros. Perdidos na multiplicidade, falhamos ao exnergar o padrão e o propósito que dá sentido. Precisamos enxergar ambos, não separadamente, mas na visão unificadora dos “olhos saudáveis” de que Jesus fala.

Todo o propósito da meditação é abrir esses olhos. O caminho é o simples caminho do compromisso”


LAURENCE FREEMAN
“Perder para Encontrar”

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