Renúncia

“Precisamos ter o máximo cuidado com o emprego de expressões tais como “auto-renúncia”. Na prece, verdadeiramente buscamos direcionar todo o nosso ser para uma contemplação da bondade de Deus, de seu infinito amor. Todavia, só conseguiremos algum grau de eficácia nisso, caso antes tenhamos verdadeiramente nos aproximado de nós mesmos. A própria prece é um caminho que nos leva a experimentar a verdade das palavras de Jesus: “Aquele que quiser salvar sua vida, deve antes perdê-la”. Todavia, cabe-nos dar o primeiro passo. E, este passo é o de conquistar a confiança necessária para entregar nossa vida na pobreza do único verso em meditação. Esta é a tremenda importância da comunidade cristã: ao vivermos com outras pessoas, percebendo-nos reverenciados e amados, solidificamos a confiançaque necessitamos para adentrar a prece, na qual praticamos essa completa pobreza, essa completa renúncia. E, a auto-renúncia cristã, será sempre uma auto-afirmação em Cristo.

A meditação, e sua pobreza, não é nenhuma forma de auto-rejeição. Não estamos fugindo de nós mesmos e, também não se trata de nos odiarmos. Ao contrário, nossa busca é uma busca por nós mesmos, e pela experiência da nossa própria e infinita capacidade de sermos amados. A Tradição cristã atesta muito bem a harmonia do verdadeiro Eu, que repousa além de todo egoísmo, além de toda atividade que se baseia no ego. Santa Catarina de Gênova afirma isso de maneira sucinta: “Meu eu é Deus. Eu nem reconheço minha identidade, exceto nEle”. Todavia, para alcançarmos nossa identidade (e é para responder a esse chamado que meditamos), ou, fazendo uso de uma linguagem ocidental que é mais feliz e talvez mais correta, para encontrarmos realização pessoal, precisamos passar pela radical experiência de pobreza pessoal, em uma inabalável auto-entrega.

Aquilo que entregamos, aquilo para o qual morremos é, dentro da filosofia Zen, não propriamente o eu ou a mente, mas sim aquela imagem do eu ou da mente que, por engano, passamos a identificar com o que somos realmente. Ora, isso não se trata de uma tese que precisemos desenvolver com inteligência imaginativa, para utilizarmos a linguagem da “Nuvem do Não Saber”. Todavia, certamente indica que aquilo a que renunciamos na prece é, essencialmente, o que é irreal. As dores da renúncia serão proporcionais ao tamanho de nosso compromisso com a irrealidade, à medida com que adotamos nossas ilusões como sendo reais. Na prece nos despimos das ilusões do ego que nos isola. Fazemos isso em um continuado ato de fé, distanciando-nos da idéia de nós mesmos, por meio da concentração de todo o nosso ser no Eu verdadeiro, criado por Deus, redimido por Jesus, um templo do Espírito Santo.”

Meditação Cristã 

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