Somente “Oração”

“Já chegamos a pensar na oração em larga escala como nosso movimento em direção a Deus, como uma atividade pela qual éramos nós os responsáveis, como um dever a ser cumprido para agradar a Deus ou apaziguá-lo. Pode haver um elemento de encanto, de sinceridade infantil nisso, mas a verdadeira oração exclui o elemento sentimental. Fomos estimulados a buscar maturidade espiritual em que, como nos diz são Pedro, “vivemos no espírito, segundo Deus”. Ora, se ele, são Paulo e o Novo Testamento, como um todo, merecem ser levados a sério, somos levados a dizer que a oração é algo bem maior do que a nossa conversa com Deus, que o nosso falar a Deus, ou imaginar Deus ou ainda elaborar santos pensamentos. Na verdade, como disse São Paulo, esta não pode corresponder a uma explicação real da oração, se é verdade que nós nem sabemos como rezar. Contudo, como prossegue ele dizendo, “O Espírito socorre a nossa fraqueza, pois não sabemos o que pedir como convém, mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis” (Rm 8,26) (…)

Estamos orando quando estamos despertando para a presença deste Espírito em nosso coração. (…) Se é assim, não há distinção de tempo nem de oração parcial, como se o Espírito não estivesse sempre vivo em nosso coração. Existem sim tempos, como os dois períodos diários de meditação, em que nos voltamos plenamente e com toda a nossa consciência para esta realidade sempre presente. Isto leva a um nível de atenção, a um estado de alerta, para os quais São Paulo orientava claramente os tessalonicenses, quando lhes dizia que “orassem incessantemente” , o que corresponde ao estado em que nossa atenção a esta realidade se mantém constante através das mais variadas atividade ou interesses. (…)

O mantra abre caminho para altos níveis de consciência e supera as dimensões do tempo.  É nesse sentido que ele constitui nossa resposta dada aos gemidos ou aos clamores do Espírito a toda a vida de Jesus (…) uma resposta que não se situa em nível algum de raciocínio conceitual, mas que é resposta absoluta, incondicional. “

A Palavra Que Leva Ao Silêncio, John Main, pág 68-69

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