Atenção, concentração e espera

“A meta mais importante da meditação cristã consiste em consentir que a presença misteriosa e silenciosa de Deus em nós se torne, cada vez mais, não somente uma realidade, porém arealidade em nossas vidas; em deixar que ela se transforme a realidade que dá sentido, forma e objetivo a tudo o que fazemos, a tudo o que somos.”

Novo trecho do livro “A Palavra Que Leva Ao Silêncio” foi adicionado:
ATENÇÃO, CONCENTRAÇÃO E ESPERA.

 

Eucaristia e Silêncio

EUCARISTIA E SILÊNCIO
Leia o texto de D. Laurence no link : Eucaristia & Silêncio
Abaixo um pequeno trecho sobre dois tipos de silêncio encontrados em São Bento.

“… São Bento utiliza duas palavras que nós traduzimos por silêncio: quies e silentium. A quies é o silêncio físico, a ausência de barulho – não bater com as portas, não arrastar as cadeiras, não tossir nem amachucar papeis de rebuçados. É o silêncio que é suposto os bons pais ensinarem aos filhos: discrição e modéstia materiais em que se respeita a presença do outro. A quies torna o mundo habitável e civilizado. Faz infelizmente muitas vezes falta na cultura urbana moderna em que o barulho invade até os elevadores e onde é raro, tanto no tempo como no espaço, podermo-nos encontrar fora do alcance de barulho de origem humana. Até já se vendem capacetes dispendiosos, especialmente concebidos, não para escutar música, mas para nos isolar de barulhos exteriores.

silentium, pelo contrário, não designa uma ausência de barulho mas um estado de espírito e uma atitude consciente da presença dos outros e de Deus. É atenção. Quando uma pessoa se dirige a um padre ou conselheiro para lhe falar de um problema ou de um desgosto, o padre sabe que acima de tudo o que lhe deve dar é atenção. Pode dar-se o caso do seu problema não ter solução e, na maior parte das vezes, as palavras que se espera que tenham alguma utilidade passam ao lado da dor. Escutar com atenção, dar-se a si mesmo, totalmente, no acto de prestar atenção , não se trata de julgar, colocar-se no lugar do outro ou condenar, mas amar. De facto, deste ponto de vista, nada se assemelha mais a Deus do que o silêncio, porque Deus é amor.

Mais tarde examinaremos o sentido do sacrifício da Eucaristia e como este se revela no silêncio. Para já, gostaria de relacionar o acto de atenção com o dom de si… “

D.Laurence Freeman

Retiro de silêncio do Seminário John Main 2012

Seja quem você é

“A compreensão cristã de que Jesus é o Verbo encarnado transforma a maneira pela qual olhamos para a nossa própria humanidade, e também o mundo natural de que somos parte integrante. “Nada que não esteja contra a Natureza está contra Cristo” (Clemente de Alexandria) Em nossos tempos, precisamos abraçar este discernimento libertador com mais coragem, de modo que o mistério do Cristo possa passar a ser completamente transformador. Contudo, este não é apenas um projeto teológico. Ele começa, e encontra sua culminância, no nível profundamente pessoal da experiência.   E, é por isso que a meditação em nossa própria tradição é tamanha benção e necessidade: ela nos abre, ao mesmo tempo, para o mistério do Cristo interior e, para o do Cristo cósmico. Nossa meditação diária, nos conduz ao autoconhecimento, e também nos dá um novo vocabulário com o qual compreendemos e comunicamos a própria Palavra”

Assista os videos do retiro na página :JMS 2012 – Retiro de Silêncio “Seja quem você é”
Mais videos da WCCM no canal do YouTube MeditatioWccm

Silêncio e Palavra

“O silêncio é parte integrante da comunicação”
Extraído do GaudiumPress.org sobre o artigo de Dom Walmor Oliveira de Azevedo

“É muito oportuno, como força educativa, ter presente que o silêncio é parte integrante da comunicação. O falar não precedido ou emoldurado pelo silêncio pode não produzir palavras com densidade e significação. Especialmente palavras que tenham o sentido de edificar, corrigir e devolver ao coração dos destinatários a esperança do viver. A sociedade contemporânea é muito barulhenta e desabituada ao silêncio que proporciona escuta mútua e conhecimento” …

Ao nos calarmos, permitimos que a outra pessoa fale, “exprima a si mesma, livrando-nos, por esta escuta, de ficarmos presos a nós mesmos, nas nossas palavras e ideias”. Conforme o prelado, quando não se faz silêncio e não se permite ouvir o que as outras pessoas tem a dizer, corre-se o risco de incorrer em autoritarismos, fixando-se na própria compreensão, “por vezes até medíocre e comprometedora no que se refere a conquistas e avanços indispensáveis”
‎”‎o silêncio permite à pessoa “uma descida ao fundo de si mesma e abrir-se ao caminho de resposta que Deus inscreveu no seu coração”. De acordo com o prelado, na mensagem escrita pelo Papa existe uma lição que vale ser aprendida e pratica: “Educar-se em comunicação é aprender a escutar, a contemplar, para além de falar. É hora de qualificar a comunicação e o falar. É urgente, para isso, exercitar-se no silenciar para que a palavra dita seja capaz de gerar vida”.

Fonte: http://www.gaudiumpress.org/content/37049–ldquo-O-silencio-e-parte-integrante-da-comunicacao-rdquo—destaca-arcebispo-de-Belo-Horizonte

Artigo de Dom Walmor: http://www.cnbb.org.br/site/articulistas/dom-walmor-oliveira-de-azevedo/9415-silencio-e-palavra

O verdadeiro silêncio é uma presença

‎”A vida é uma jornada em direção ao silêncio, e não só o silêncio da morte. Os jovens falam muito – são barulhentos. Os idosos são reticentes. Afinal, há tanto a ponderar. Os mais velhos tendem a segurar a língua. Conhecem a sabedoria que há em conter-se. O fato de ter visto muitas coisas leva a reservar o julgamento. Nesta era moderna, quando o noticiário e a política são dominados por rostos que falam sem parar, o silêncio se torna um bem precioso. A mera ausência de fala já soa como silêncio. Mas o verdadeiro silêncio é uma presença, não uma ausência. Uma plenitude. Uma riqueza cujo valor depende da pureza da intenção, não apenas da falta de distrações.”

Artigo de Frederick Smock* para o The Courier-Journal, de Louisville, Kentucky (Ocasião do 40º aniversário da morte de Thomas Merton )

Reflexão da 2° Semana do Advento – Viver na Esperança

“(…) Uma esperança desabrocha à medida que outras morrem. Esperanças são desejos velados ou fantasias que usamos como substitutos para a realidade ou como defesas contra decepções e sofrimentos. Muitas vezes precisamos tremer à beira do desespero e do desprendimento da vontade antes de descobrir o sentido de esperança. Antes, porém, de chegar a esse limiar, começamos nos agarrando a falsas esperanças. Os Joãos Batistas de nossas vidas – aqueles que sozinhos dão consolo autêntico – não são arautos da desgraça, mas pregadores da realidade. (…)”

Durante o Advento, D. Laurence envia suas breves mensagens semanais de incentivo e reflexão através do site oficial da comunidade e dentro do possível estarão aqui traduções dessas reflexões. A segunda reflexão nos diz que uma esperança nasce quando todas as outras morrem e pode ser lida em:

Reflexão da 2° Semana do Advento – Viver na Esperança

Gregório, o Sinaíta – Hesicasmo e a obediência da humildade

Uma página foi adicionada ao Livro: A Pequena Filocalia – O Livro Clássico da Igreja Oriental.

A obediência se tornou um termo muito distorcido e mal compreendido pela sua associação à submissão, a exploração e alienação. A obediência, diz a monja beneditina Joan Chittister, é um ato de responsabilidade e não de submissão. E a humildade, como ela mesma interpreta na Regra de S. Bento, não é uma ato voluntário de humilhação, mas a condição necessária para atravessar as situações humilhantes com integridade. Em tudo isso nada há de diferente daquilo que Cristo nos mostrou e que São Paulo, e seu discípulo, nos apresenta com palavras como “sendo exteriormente reconhecido como homem, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz.” (Fl 2,8) e “Embora fosse Filho de Deus, aprendeu a obediência por meio dos sofrimentos que teve” (Hb 5,8). Exposto à humilhação, Cristo “suportou tudo sem se entregar nem ir embora” (RB 7,35) e Sua Paixão nos ensina o que precisamos descobrir sobre humildade e obediência, sem comprar o conceito socialmente distorcido e negativo.

Esse breve trecho dos escritos de Gregório sobre a oração e o hesicasmo, mostra o ensinamento desse Padre do Deserto sobre a importância da humildade na oração hesicasta, na prática do silêncio, para não negligenciarmos as demais dimensões da oração e mesmo da vida ativa, vivendo de uma ilusória autonomia, mas antes de simplicidade.

Gregório, o Sinaíta – Hesicasmo e a obediência da humildade.