Gregório, o Sinaíta – Hesicasmo e a obediência da humildade

Uma página foi adicionada ao Livro: A Pequena Filocalia – O Livro Clássico da Igreja Oriental.

A obediência se tornou um termo muito distorcido e mal compreendido pela sua associação à submissão, a exploração e alienação. A obediência, diz a monja beneditina Joan Chittister, é um ato de responsabilidade e não de submissão. E a humildade, como ela mesma interpreta na Regra de S. Bento, não é uma ato voluntário de humilhação, mas a condição necessária para atravessar as situações humilhantes com integridade. Em tudo isso nada há de diferente daquilo que Cristo nos mostrou e que São Paulo, e seu discípulo, nos apresenta com palavras como “sendo exteriormente reconhecido como homem, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz.” (Fl 2,8) e “Embora fosse Filho de Deus, aprendeu a obediência por meio dos sofrimentos que teve” (Hb 5,8). Exposto à humilhação, Cristo “suportou tudo sem se entregar nem ir embora” (RB 7,35) e Sua Paixão nos ensina o que precisamos descobrir sobre humildade e obediência, sem comprar o conceito socialmente distorcido e negativo.

Esse breve trecho dos escritos de Gregório sobre a oração e o hesicasmo, mostra o ensinamento desse Padre do Deserto sobre a importância da humildade na oração hesicasta, na prática do silêncio, para não negligenciarmos as demais dimensões da oração e mesmo da vida ativa, vivendo de uma ilusória autonomia, mas antes de simplicidade.

Gregório, o Sinaíta – Hesicasmo e a obediência da humildade.

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Presença

Quando por um instante o corpo e a mente repousam atentos em nada querer, tudo observar com distância, observa também que tão logo queira algo, o momento se perde. Não pelo querer em si, mas pelas forças que o ego projeta sobre esse querer buscando não apenas realizá-lo com liberdade desinteressada, mas com as ilusões de sucesso e fracasso pessoais, com a ambição de conseguir e assim afirmar tal poder, como se qualquer êxito fosse mérito humano. Quanto mais articulado for esse ego, menos se percebe a verdade de que nem a própria vida nos pertence. Talvez se perceba nocionalmente, mas não existencialmente, não se experimenta como verdade mas como condescendência do ego. Continuar lendo

Retornar sempre de novo a humildade

As vezes , quando desenvolvemos certo orgulho, podemos desenvolver também certa confusão e deslocamento quando no meio daqueles que acabamos vergonhosamente achando indignos de paz, amor e Graça. Isso nos ensina que nós mesmo perdemos o contato com o que é essa experiência de paz e amor que emana do Reino. Talvez devessemos lembrar das palavras de Jesus: “Certo homem tinha dois filhos. Dirigiu-se ao mais velho e disse-lhe: “Filho, vai hoje trabalhar para a vinha”. O filho respondeu: “Não quero”. Mas depois arrependeu-se, e foi. O pai dirigiu-se ao outro filho e disse a mesma coisa. Ele respondeu: “Sim, senhor, eu vou”. Mas não foi. Qual dos dois fez a vontade do pai?» Os sumos sacerdotes e os anciãos do povo responderam: «O filho mais velho». Então Jesus disse-lhes: «Pois Eu garanto-vos: os cobradores de impostos e as prostitutas vão entrar antes de vós no Reino do Céu.” (Mt 21, 28-31)

São Paulo nos afirma algo muito importante quando diz: “Deus é o Salvador de todos, principalmente dos que têm fé.”(c.f. 1 Tm 4,10) Continuar lendo

Se fôssemos realmente humildes

Um sincero trecho sobre a humildade, no qual Merton interpõe sua oração, foi adicionado na sessão do livro NA LIBERDADE DA SOLIDÃO:Se fôssemos realmente humildes, saberíamos até que ponto somos mentirosos.”

Quando o peso de nossa insuficiência não permite mais que nos sustentemos, seja pela desenvoltura da inteligência diante da pouca sabedoria, seja pelas circunstâncias da existência e da falta de limites que nos assolam, seja por estarmos num caminho certo em direção à uma sabedoria verdadeiramente humilde, seja por inesperada Graça, não temos muitas escolhas, ou nos quebramos ou nos dobramos. Dobrando, o peso rola das costas e já não há o que nos pese que não esteja diante de nós, revelado, e propiciando crescimento, superação, cura. Não mais está oculto de nós mesmos, por nos mesmos, o que estava à nossas costas, num gesto nada inteligente de bravata existencial, de orgulho espiritual. Nos dobrando aprendemos a andar, enquanto enrijecidos aprendemos a desesperar.

“Quando algo se torna forte, envelhece, perece (…) Aquilo que morre mas não perece, permanece para sempre” – Tao Te King. Esse trecho ilustra em diálogo a situação cristã, Cristo não se fez forte, morreu na fragilidade de um corpo humano porém, sem perecer no espírito, permanece para sempre.

Senhor, ensinaste-nos a amar a humildade, mas não aprendemos. Aprendemos somente a amar-lhe a camada externa – a humildade que torna alguém atraente e encantador. Se fôssemos realmente humildes, saberíamos até que ponto somos mentirosos. Me faça ver que sou um mentiroso e um fingido, e que, mesmo assim, tenho a obrigação de procurar com esforço a verdade, de ser tão verídico quanto me seja possível, ainda que tenha que achar, inevitavelmente, toda a verdade de que sou capaz, envenenada pela duplicidade.