Uma Pérola de Grande Valor


Uma tradução livre desse blog do texto de D. Laurence Freeman (OSB). O texto original e material adicional para iniciar grupos de meditação se encontram no link da Escola de Meditação da comunidade: http://www.theschoolofmeditation.org/content/materials-introducing-meditation

Uma Pérola de Grande Valor
Compartilhando o dom da meditação iniciando um grupo.

LAURENCE FREEMAN OSB 

O Reino dos Céus é como um comerciante procurando por pérolas raras; Quando ele encontra uma de grande valor, vai e vende tudo que ele tem e a compra. (Mt 13:45)

Índice

  1. Introdução
  2. O chamado de Jesus
  3. Todos são contemplativos
  4. Por quê os grupos de meditação são importantes hoje
  5. John Main
  6. Um disciplina simples de fé
  7. Partilhando o Dom
  8. Primeiros passos: Primeiros obstáculos
  9. Divulgando
  10. Onde?
  11. Quando?
  12. Quantos?
  13. Como organizar o tempo em grupo?
  14. Conheça os ensinamentos essenciais.
  15. Outras formas de oração
  16. Outras crenças
  17. Sou eu quem deve fazer isso?
  18. Recursos disponíveis.
  19. Amostras de divulgação

APÊNDICES:

  1. Uma proposta para seis semanas introdutórias de um grupo de Meditação Cristã
  2. Coordenações nacionais da Comunidade Mundial
  3. A Comunidade Mundial e outras Comunidades
  4. Contemplação e unidade: uma declaração ecumênica

Instituto Merton para Vida Contemplativa

Conheça o instituto The Merton Institute for Contemplative Living. Um espaço essencial para dimensionar a contemplação na vida de hoje.

“Nós vivemos contemplativamente quando nos envolvemos intencionalmente em atividades destinadas a aprofundar nosso relacionamento conosco, com os outros, com Deus e com a natureza. Quando estamos conscientes que nossas decisões, ações e uso do tempo, afetam cada um de nossos relacionamentos. Quando nós vemos que nossos relacionamentos são todos interligados, integrados, e vemos Deus em cada um deles. Quando assumimos a responsabilidade pessoal de cada um de nossos relacionamentos.

Quando entendemos que nossos relacionamentos são essencial para atingirmos os objetivos de nossa vida. Quando nós não somos facilmente distraídos por atividades sem sentido e nossa vida ativa flui de nossa natureza contemplativa. Quando vemos através da ilusão de separação, reconhecendo qualquer coisa que façamos que nos aliena no nosso verdadeiro “Eu”, dos outros e de Deus, vivendo com o reconhecimento de que já somos um. Quando nossa vida espiritual e contemplativa é nossa vida diária. Quando regularmente aplicamos tempo na reflexão silenciosa, na solidão e em outras práticas contemplativas.

Quando estamos mais preocupados com as questões que confrontam a humanidade e menos com as preocupações mundanas da vida diária. Quando nós experimentamos a liberdade, a alegria e o amor que somente podem vir com o enraizamento de nós mesmos em nossos relacionamentos.”

© 2009 The Merton Institute for Contemplative Living

Com imagens e além delas.

Lemos no clássico da mística cristã medieval, “A núvem do não saber”, que durante a oração contemplativa, a oração do coração, não devemos seguir qualquer imagem, tão pouco as santas e piedosas. Instrui que ao seguir tais imagens, logo estaríamos “tagarelando” interiormente e não iríamos querer outra coisa, mas por fim a mente também trarria imagens de suas misérias, “de sorte que por fim, sem te dares conta, já te acharás com o espírito disperso nem sabes por onde. E a causa dessa dispersão é que primeiro escutastes de bom grado os pensamentos, e a seguir deste-lhes resposta, acolhimento e rédea solta” (…) “Por isso, todas as vezes que se dispuseres à esse trabalho, e tocado pela graça, sentires que Deus te chama, eleva teu coração para Ele, com humilde impulso de amor. Busca o Deus que te criou e redimiu, e por sua graça te chamou a este trabalho, e não admitas nenhum outro pensamento acerca d’Ele. Aliás, conserva esse mínimo admissível apenas se assim quiseres, pois basta uma intenção nua, voltada diretamente para Deus, sem nenhum outra causa além d’ Ele. E se quiseres envolver e encerrar essa intenção num só vocábulo, para melhor a reteres, escolhe uma palavra que seja curta… e prenda essa palavra ao coração, de modo que nunca dali se afaste, aconteça o que acontecer”. (Pag. 48, Ed Vozes , 2 Edição)

Mas é importante ressaltar que ele se refere ao momento da oração contemplativa, seja qual for a forma. Seja a oração de jesus, ou abordagens mais contemporâneas como a meditação cristã, a oração centrante, e outras formas orientais. Na hora do que o autor chama de hora do trabalho, a imagem pode ser uma grande armadilha ao enraizamento, a profundidade em direção ao solo do nosso ser. Entretanto as imagens são fundamentais e necessárias para a liturgia e para a Lectio Divina. O salmista diz que Deus está presente até mesmo em seus pensamentos e contudo, nas imagens. As imagens também são uma forma de comunicação com o espírito de uma forma mais discursiva, mais adequada a elaboração e conhecimento das nossas necessidades e expectativas ante Deus, que é uma dimensão naturalmente humana e portanto legitima a dignidade da nossa condição de filhos.

Se lutarmos contra as imagens, numa euforia de transcendência, poderemos estar simplesmente exercitando um orgulho espiritual que rejeita a dimensão humana para ficar apenas com a possibilidade de comunhão divina, como se em nossa atual condição a carne e o espírito não coabitassem na realidade com suas formas e estágios próprios de maturidade. Uma criança não aprenderá uma especialização que não está intelectualmente preparada, da mesma forma o espírito não poderá chegar a níveis mais profundos da verdade enquanto não aceitar e viver seu atual estágio de maturidade. Não podemos tomar atalhos espirituais, nos alertam os místicos cristãos.

Quanto a isso, o autor diz, no mesmo capítulo: “Se alguém pretender chegar à contemplação sem antes passar muitas vezes por doces meditações sobre a própria miséria, sobre a Paixão, sobre a bondade, a grande benevolência, e a dignidade de Deus, cometerá certamente um erro, e falhará no seu propósito”

As imagens podem nos trazer grandes insights acerca da realidade do mundo e ser fonte de auto conhecimento e abertura para um proceder que louve a Deus. Mas novamente precisamos voltar a oração contemplativa para aprendermos a sermos independentes. Livres de toda imagem e de toda linguagem, afim de sabermos, como nas palavras de John Main, que não somos nós que sustentamos a Deus, mas Deus é que nos sustenta, com todas as nossas imagens e linguagem.

O autor continua:  “Mesmo assim, no entanto, também a pessoa que tiver exercitado longamente essas meditações, deverá abandoná-las e mantê-las afastadas muito lá no fundo, debaixo da núvem do esquecimento, se alguma vez quiser furar a núvem do não saber que se acha entre ela e o seu Deus.”

Oração Bizantina:

“Ó Luz Serena, que brilha no
Solo do meu ser,
Atrai-me para ti,
Tira-me das armadilhas dos sentidos,
Dos Labirintos da mente,
Liberta-me de símbolos, de palavras,
Que eu descubra
O Significado
A Palavra Não Dita
Na escuridão
Que vela o solo do meu ser. Amém.”

Reflexão da 2° Semana do Advento – Viver na Esperança

“(…) Uma esperança desabrocha à medida que outras morrem. Esperanças são desejos velados ou fantasias que usamos como substitutos para a realidade ou como defesas contra decepções e sofrimentos. Muitas vezes precisamos tremer à beira do desespero e do desprendimento da vontade antes de descobrir o sentido de esperança. Antes, porém, de chegar a esse limiar, começamos nos agarrando a falsas esperanças. Os Joãos Batistas de nossas vidas – aqueles que sozinhos dão consolo autêntico – não são arautos da desgraça, mas pregadores da realidade. (…)”

Durante o Advento, D. Laurence envia suas breves mensagens semanais de incentivo e reflexão através do site oficial da comunidade e dentro do possível estarão aqui traduções dessas reflexões. A segunda reflexão nos diz que uma esperança nasce quando todas as outras morrem e pode ser lida em:

Reflexão da 2° Semana do Advento – Viver na Esperança

Reflexão da 1° Semana do Advento – Vigiai, Permanecei Despertos.

Durante o Advento, D. Laurence envia suas breves mensagens semanais de incentivo e reflexão através do site oficial da comunidade e dentro do possível estarão aqui traduções dessas reflexões. A primeira reflexão nos exorta a perseverar na meditação para nos mantermos desperto para a realidade.

Reflexão da 1° Semana do Advento – Vigiai, Permanecei Despertos.

Quietude, Silêncio e Simplicidade, Elementos Essenciais da Contemplação

Novo podcast adicionado em The Essential Of Christian Meditation – 08 Stillness, Silence and Simplicity

“(…) Essa é a sabedoria da tradição contemplativa, mover-se da mente para o coração, dos pensamentos para o silêncio. Silêncio é a ausência de pensamentos … Mestre Eckhart diz que não há nada tão parecido com Deus que o silêncio. E a razão para isso é que silêncio não é apenas ausência de ruídos. Quando meditamos procuramos um tempo e um lugar quieto, externamente silencioso, mas isso não é realmente o que esse silêncio significa. Silêncio é atenção. Quando prestamos atenção a algo, realmente prestando atenção, estamos sendo silentes. Então se nada é tão parecido com Deus como o silêncio é por nada ser tão de Deus como pura atenção, puro amor. Quando tiramos a atenção de sobre nós mesmos, amamos aquele a quem damos essa atenção. Por isso na tradição mística do cristianismo, o trabalho da contemplação é o trabalho do amor, porque é o trabalho do silêncio, porque o trabalho do silêncio é o trabalho da atenção (…)” – Laurence Freeman (OSB)

Contemplação segundo o Deserto: o mais importante não é ter paz e felicidade, mas consciência e vida.

O elemento mais importante da contemplação não é o gozo, nem o prazer, nem a felicidade ou a paz, mas sim a experiência transcendente da realidade e da verdade no ato de um amor espiritual supremo e livre. O mais importante na contemplação não é a gratificação e o repouso, mas a consciência, a vida, a criatividade e a liberdade… ” – Leia texto completo

A Experiência InteriorTHOMAS MERTON