Simbolismo: Quando o símbolo vira sinal

“Deve-se, em parte, a perda do sentido do símbolo na sociedade científica e tecnológica a uma incapacidade de distinção entre o símbolo e o sinal indicativo. A função do sinal é a comunicação e, antes de tudo, a comunicação de conhecimento factual ou prático. A função do símbolo não é a afirmação de fatos ou a transmissão de informação, nem mesmo a informação espiritual a respeito de verdades absolutas ou religiosamente reveladas. Um símbolo não ensina ou informa apenas. Nem explica. (…)

A verdade revelada torna-se concreta e existencialmente presente nos símbolos e é apreendida no símbolo, e com ele, ,mediante uma resposta viva do sujeito. Essa resposta desafia a análise exata e não pode ser descrita com precisão para alguém que não a vivencie autenticamente. A capacidade para tal experiência é desenvolvida por tradições espirituais vivas e pelo contato com um mestre espiritual ou pelo menos com uma liturgia criativa e vital e uma doutrina tradicional. Portanto, exigir que um símbolo preencha a função de informar e explicar, ou esclarecer e verificar cientificamente todos os fatos mais íntimos do cosmos, do homem, do lugar do homem no cosmos, da relação do homem consigo mesmo e assim por diante, é exigir que o símbolo faça o que fazem os sinais indicativo e quantitativos.

Ao exigir isso, a pessoa se convence imediatamente de que o símbolo tem muito menos valor prático do que o sinal. Em um mundo em que o uso prático e a informação científica quantitativa são altamente valorizadas, o símbolo rapidamente torna-se sem sentido. Quando se evoca um símbolo para ‘comunicar’ , ele necessariamente se restringe a transmitir o tipo de idéia ou informação mais trivial. O símbolo fica, então, reduzido à marca registrada ou à insígnia política, um mero sinal de identificação. Identificação não é identidade.

O carimbo de identificação é realmente uma diminuição ou perda de identidade, uma submersão da identidade na classe generalizada. Os pseudo-símbolos do movimento de massa tornam-se sinais de pseudo-mística na qual o homem massificado perde o seu eu individual no vazio, realmente demoníaco, do pseudo-eu geral da sociedade de massa.

Os símbolos da sociedade de massa são pontos grosseiros e bárbaros de arregimentação para a emoção, para o fanatismo e para formas exaltadas de ódio disfarçados de indignação moral. Os símbolos da sociedade de massa são cifras na face de um vazio espiritual e moral.”

THOMAS MERTONAmor e Vida


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