O Secular e o Sagrado III – Uso

“Mas a cidade de Deus no céu se reflete na terra na sociedade daqueles que estão unidos, não por um ‘interesse próprio esclarecido’, mas por amor cristão, por misericórdia e compaixão, por piedade desinteressada e divina. Os membros dessa sociedade se libertam da escravidão ao ‘divertimento’ ao renunciar ao próprio prazer e à satisfação imediata para ajudar a aliviar as necessidades dos outros, bem como para ajudá-los a se tornar livres, buscar sua própria verdade interior e assim cumprir seu destino na terra.

Eu disse há pouco que mesmo a mais sagrada das sociedades terrenas tem algo de secular. Dado o estado atual, decaído, da natureza humana, isso é inevitável em toda sociedade visível. As expressões simbólicas e visíveis do divino tendem a se tornar opacas na medida de seu uso constante pelo homem, de modo que estacionamos nelas, deixando de usá-las como um meio de aproximarmo-nos de Deus. assim, a Santa Comunhão, por exemplo, tende a se tornar uma atividade rotineira e ‘secularizada’ quando buscada não tanto como contato místico com o Verbo de Deus encarnado e com todos os membros de seu Corpo Místico, mas principalmente como um meio de conquistar a aprovação social e afastar sentimentos de angústia. Desse modo, toda e qualquer realidade sagrada pode ser rebaixada e, sem perder completamente seu caráter sagrado, entrar na roda dos ‘divertimentos’ seculares.


O Secular e o Sagrado II – Duas espécies de dependência

A Experiência Interior, THOMAS MERTON 

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