Natureza Dimensional

Antropologia Ontológico-Dimensional
“Viktor Frankl: A antropologia como terapia”, Pag. 35-36

Frankl parte de duas visões do homem, uma baseada em dados ontológicos (Hartmann) e outra de visão antropológica (Scheler). O primeiro entedia o homem como uma estrutura de gradações formada por uma dimensão corporal, psíquica e espiritual. Pretendia evitar o velho problema do reducionismo que, ignorando o espiritual, acabava por ignorar a própria pessoa humana. Entretanto, apesar de afirmar as diferenças ontológicas da existência humana, não superava os riscos da compreensão dualística corpo/alma; Levando em conta a multiplicidade, não ressaltava suficientemente a unidade do ser-homem. Já o segundo, Scheler, concebia o homem em uma estrutura de estratos formada pelo biológico, o psicológico e o pessoal, sem ressaltar, da mesma forma, a unidade desta estrutura antropológica.

Para superar estas dificuldades ontológicas, Frankl propõe o conceito geométrico de dimensões, considerando ter salvaguardado a unidade antropológica sem minimizar as diferenças ontológicas.

Nessa perspectiva enuncia duas leis para sua ontologia dimensional ¹:

Primeira lei: Um só e idêntico fenômeno, projetado para fora de suas dimensões em dimensões inferiores às suas, dá origem a figuras diversas em nítido contraste entre elas”. Como exemplo tomemos um vaso que, do ponto de vista geométrico, representa um cilindro: Projetando-o de seu âmbito tridimensional num plano lateral e no da base, obter-se-á, no primeiro um retângulo e, no segundo, um circulo. Além disso as figuras se contradizem reciprocamente, também porque em ambos os casos trata-se de figuras planas e fechadas, ao passo que, na realidade, o vaso é recipiente aberto.

Segunda leiNão apenas um só e idêntico fenômeno, mas diversos, projetados para fora de suas dimensões, não para dimensões diversas, mas para uma mesma dimensão inferior à própria, dão origem a figuras  que não estão em contrastes entre elas, mas parecem ambíguas.”. Como exemplo tomemos um cilindro, um cone e uma esfera. A projeção de tais objetos num plano de base será igualmente um círculo, e, se se observarem somente os três círculos projetados será inteiramente impossível concluir de qual dos objetos cada um deles, considerados individualmente, é a projeção.

Efetivamente, a dimensão superior, a mais abrangente (o espiritual) preserva a unidade sem descuidar das diferenças

(…)

Mas deve-se ter em mente o seguinte: nossa investigação seria vã se quiséssemos encontrar no plano da projeção aquela unidade do ser humano que conecta cada multiplicidade das singulares maneiras de ser, e que, indo além das oposições somáticas e psíquicas, constitui a coincidentia oppositorum. Essa unidade será visível somente numa dimensão mais elevada, na dimensão daquilo que é especificamente humano” – O espiritual.

1 – Logoterapia e ANalise Existenziale. P.52 1977

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