Atenção, concentração e espera

“A meta mais importante da meditação cristã consiste em consentir que a presença misteriosa e silenciosa de Deus em nós se torne, cada vez mais, não somente uma realidade, porém arealidade em nossas vidas; em deixar que ela se transforme a realidade que dá sentido, forma e objetivo a tudo o que fazemos, a tudo o que somos.”

Novo trecho do livro “A Palavra Que Leva Ao Silêncio” foi adicionado:
ATENÇÃO, CONCENTRAÇÃO E ESPERA.

 

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Sabedoria

SABEDORIA.

Há certos momentos em que nossa incapacidade para a clareza e lucidez diante da violência e injustiça que ocorrem debaixo de nossos olhos, nos joga no chão. Sem saber o que fazer muitas vezes podemos acabar seguindo o fluxo que nos é imposto. É como caminhar no leito seco de um rio em uma direção e se deparar com uma enxurrada vindo na direção contrária alagando tudo e nos arrasto leito abaixo. Isso pode nos ensinar a caminhar sempre à margem das coisas, com medo, para não sermos arrastados pelo temperamento daqueles que se movem em outra direção. Mas o medo, assim como os impulsos, não é a melhor orientação a seguir…

“Deus de nossos pais, e Senhor de misericórdia, que todas as coisas criastes pela vossa palavra, e que, por vossa sabedoria, formastes o homem para ser o senhor de todas as vossas criaturas, governar o mundo na santidade e na justiça, e proferir seu julgamento na retidão de sua alma, dai-me a Sabedoria que partilha do vosso trono, e não me rejeiteis como indigno de ser um de vossos filhos. Sou, com efeito, vosso servo e filho de vossa serva, um homem fraco, cuja existência é breve, incapaz de compreender vosso julgamento e vossas leis; porque qualquer homem, mesmo perfeito, entre os homens, não será nada, se lhe falta a Sabedoria que vem de vós.

Ora, vós me escolhestes para ser rei de vosso povo e juiz de vossos filhos e vossas filhas. Vós me ordenastes construir um templo na vossa montanha santa e um altar na cidade em que habitais: imagem da sagrada habitação que preparastes desde o princípio. Mas, ao lado de vós está a Sabedoria que conhece vossas obras; ela estava presente quando fizestes o mundo, ela sabe o que vos é agradável, e o que se conforma às vossas ordens. Fazei-a, pois, descer de vosso santo céu, e enviai-a do trono de vossa glória, para que, junto de mim, tome parte em meus trabalhos, e para que eu saiba o que vos agrada. Com efeito, ela sabe e conhece todas as coisas; prudentemente guiará meus passos, e me protegerá no brilho de sua glória. Assim, minhas obras vos serão agradáveis; governarei vosso povo com justiça, e serei digno do trono de meu pai.Que homem, pois, pode conhecer os desígnios de Deus, e penetrar nas determinações do Senhor?

Tímidos são os pensamentos dos mortais, e incertas as nossas concepções; porque o corpo corruptível torna pesada a alma, e a morada terrestre oprime o espírito carregado de cuidados. Mal podemos compreender o que está sobre a terra, dificilmente encontramos o que temos ao alcance da mão. Quem, portanto, pode descobrir o que se passa no céu? E quem conhece vossas intenções, se vós não lhe dais a Sabedoria, e se do mais alto dos céus vós não lhe enviais vosso Espírito Santo? Assim se tornaram direitas as veredas dos que estão na terra; os homens aprenderam as coisas que vos agradam e pela sabedoria foram salvos.”

Sabedoria 9 (Bíblia Católica Edição Ave Maria)

O Secular e o Sagrado – Thomas Merton

Uma sequência de trechos retirados do livro “A Experiência Interior”, de Thomas Merton, sobre o Secular e o Sagrado pode começar a ser lida na página:

O SECULAR E O SAGRADO I

No atual contexto do conflito entre os direitos da população indígena da etnia Guarani-Kaiowás e dos proprietários de terras do agronegócio, o contraste entre a atitude sagrada e a atitude secular pode se apresentar de forma bem aguda. Essa sequência de trechos dos escritos de Thomas Merton pode também tornar aguda nossa percepção desses conflitos com base nos tipos de atitudes que o sustentam, atitudes sagradas e atitudes seculares. Abaixo um pequeno trecho do texto que segue o link acima.

“Uma sociedade genuinamente secular, no entanto, é a que não pode se contentar com inocentes fuga de si mesma. Tende, cada vez mais, a necessitar e exigir, com insaciável dependência, satisfação em ações injustas, malignas e mesmo criminosas. Daí o crescimento de negócios economicamente inúteis, que existem para o lucro e não para a produção real, que criam necessidades artificiais às quais satisfazem prontamente com produtos sem valor e de rápido consumo. Daí também as guerras que surgem quando produtores competem por mercados ou por fontes de matéria-prima. Daí o niilismo, o desespero e a anarquia destrutiva que se seguem à guerra; e, por fim, a cega corrida para o totalitarismo como fuga do desespero. Nosso mundo já alcançou o ponto em que, para conseguir algum divertimento, está pronto a se explodir. A era atômica é o ponto mais alto já alcançado pelo secularismo. Isso nos indica, é claro, que a raiz do secularismo é a privação de Deus. “

Eucaristia e Silêncio

EUCARISTIA E SILÊNCIO
Leia o texto de D. Laurence no link : Eucaristia & Silêncio
Abaixo um pequeno trecho sobre dois tipos de silêncio encontrados em São Bento.

“… São Bento utiliza duas palavras que nós traduzimos por silêncio: quies e silentium. A quies é o silêncio físico, a ausência de barulho – não bater com as portas, não arrastar as cadeiras, não tossir nem amachucar papeis de rebuçados. É o silêncio que é suposto os bons pais ensinarem aos filhos: discrição e modéstia materiais em que se respeita a presença do outro. A quies torna o mundo habitável e civilizado. Faz infelizmente muitas vezes falta na cultura urbana moderna em que o barulho invade até os elevadores e onde é raro, tanto no tempo como no espaço, podermo-nos encontrar fora do alcance de barulho de origem humana. Até já se vendem capacetes dispendiosos, especialmente concebidos, não para escutar música, mas para nos isolar de barulhos exteriores.

silentium, pelo contrário, não designa uma ausência de barulho mas um estado de espírito e uma atitude consciente da presença dos outros e de Deus. É atenção. Quando uma pessoa se dirige a um padre ou conselheiro para lhe falar de um problema ou de um desgosto, o padre sabe que acima de tudo o que lhe deve dar é atenção. Pode dar-se o caso do seu problema não ter solução e, na maior parte das vezes, as palavras que se espera que tenham alguma utilidade passam ao lado da dor. Escutar com atenção, dar-se a si mesmo, totalmente, no acto de prestar atenção , não se trata de julgar, colocar-se no lugar do outro ou condenar, mas amar. De facto, deste ponto de vista, nada se assemelha mais a Deus do que o silêncio, porque Deus é amor.

Mais tarde examinaremos o sentido do sacrifício da Eucaristia e como este se revela no silêncio. Para já, gostaria de relacionar o acto de atenção com o dom de si… “

D.Laurence Freeman

Decisão pela paz

Thomas Merton diz que “o desejo é a coisa mais importante para a contemplação” (A experiência interior) e Santo Agostinho demonstra essa importância, juntamente com a decisão, ao escrever sobre sua luta espiritual no Jardim de Milão ( Confissões VII, 8).

Em um novo trecho adicionado ao blog, do livro A PALAVRA QUE LEVA AO SILÊNCIO, John Main fala sobre a importância de uma decisão pessoal pela paz.

“… a fonte de nossa calma recém-encontrada em nossa vida diária consiste exatamente na vida de Deus dentro de nós. O grau de paz que possuímos é diretamente proporcional à percepção desse fato vital …”, continue a leitura no link: TEMOS QUE DECIDIR PELA PAZ

Você pode baixar o livro de Santo Agostinho aqui: Confissões

Tempo de espera, tempo de conversão

Uma interessante experiência com meditação com detentos em prisões indianas, relatada no video TEMPO DE ESPERA, TEMPO DE VIPASSANA.

“Luta com todas as forças para que sua ação interior seja semelhante ao modo de ser de Deus e serás capaz de vencer as tuas paixões exteriores” (Miller, Sabedoria dos Padres 44). Seria possível ao homem conhecer o “modo de ser” de Deus? Deus sendo absoluto não teria um “modo” de ser. Simplesmente seria, como a si mesmo define, Aquele que É. No contexto da sabedoria humana acredito se tratar de adequar nossa ação interior à imagem que fazemos de Deus, a maneira como, num primeiro momento, imaginamos que Deus seria. Para Cristãos essa “imagem” de Deus pode ser encontrada em Jesus, mas precisa ser interiormente intuída e desenvolvida para não forçarmos nossa vida como que para dentro dos relatos evangélicos, mas transformar nossa vida numa continuação daqueles salvíficos relatos. A medida que transformamos nossa imagem de Deus, enquanto arquétipo, nos transformamos. Se formos assíduos leitores do Antigo Testamento e o do Novo, talvez possamos perceber que a maneira de se comunicar com Deus, a maneira como Ele era visto e entendido, foi sendo transformada na mesma medida que o homem era, pela Graça, também transformado. A visão dessa transformação talvez seja possível primeira, mas não completamente, através dessa expressão arquetípica. Nela, Deus se encontra somente em nossa mente humana, mas uma visão maior pode revelar que ali Ele se encontra por pura e infinita expansão do  seu Ser. Continuar lendo