SE (Rudyard Kipling)

“Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas
Em armadilhas as verdades que disseste,
E as coisas, por que deste a vida, estraçalhadas,
E refazê-las com o bem pouco que te reste…”

O poema “SE”, abaixo, é  de Rudyard Kipling, autor Indo-Britânico de clássicos da literatura infantil, traduzido por Guilherme de Almeida.  No último verso fiz uma alteração, como na tradução de Victor Vaz da Silva, que  mantém uma referência religiosa. O primeiro optou por manter a rima, como no texto em Inglês, entretanto em alguns momentos a tradução de Victor preserva mais a clareza em relação ao sentido de alguns versos e pode ser encontrada na Internet. Ao final pode ser lido o texto no original. Espero que apreciem o poema, reflitam com sabedoria e compartilhem dúvidas e entendimentos.

Paz

* * *

SE (Rudyard Kipling)

Se és capaz de manter a tua calma quando Continuar lendo

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Intenção reta

Nossas ações, e mesmo pensamentos, podem se perder em meio as diversas intenções que concorrem em nosso coração. Sobretudo a ação, por seu caráter irreversível, pode oprimir aquele coração que, cheio de anseios, deseja abarcar todo o possível, tão logo experimente, por uma visita fugaz da sabedoria, que em seu coração tudo é reversível.

Quando falta um caminho claro e simples, através do qual possamos ser guiados com todas as nossas incertezas, a consciência se torna como que um teatro onde as intenções se apresentam como personagens que podemos assumir. Que confusão que isso cria! Costuma nos fazer acreditar que tudo não só é possível, mas também conveniente. Isso faz lembrar de São Paulo, em uma passagem que não deveria ser preceito apenas para nós cristãos, mas para todo homem de bom senso: “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma. ” (1 Cor, 6,12) Continuar lendo

Buscando o outro

Se dependemos de um outro para que seja possível o conhecimento sobre nós mesmos, nada deveria ser mais importante do que buscá-lo. É comum ouvir ecoar palavras e frases que revelam uma concordância com esse entendimento e aparente aceitação de uma postura conseqüente. Mas tal eco vai se enfraquecendo e revela, por sua vez, que a concordância se acomoda a uma estética das idéias e a aceitação se aprofunda na superfície da atmosfera que emana de um humanismo romântico e individualista. Continuar lendo

Amar a Deus sobre todas as coisas

Amar a Deus sobre todas as coisas, de todo o coração e com toda sua força, significa, antes de mais nada, que O amemos pelo que ele É e não pelo que ele nos concede e nos doa. Sempre teremos nossos defeitos e angústias, medos e insegurança, mas até nisso se encontra motivo para agradecer pois basta uma rápida olhada para nossa humanidade que encontramos motivos suficientes para ficarmos deslocados e envergonhados diante do orgulho e da vaidade que freqüentemente nos deformam e nos fazem confundir a gratuidade necessária do amor com uma moeda de troca do bem estar e mútua adulação.

Se tão logo olhemos para nós mesmo e já não podemos nos orgulhar nem nos envaidecer; se o conhecimento de si mesmo revela a nossa pequenez e miséria diante da natureza caótica dos fenômenos, ou direcionamos nossos olhos para o mais profundo de nós, até encontrarmos a fonte que nos alimenta, ou nos desesperamos num vazio de sentido. Continuar lendo

Uma ocupação fundamental

Frei Inácio Larragna não se cansa de repetir que “a mente humana é a fonte de todo bem e de todo mal”. Fazendo uma analogia com os animais irracionais, nenhum deles criam problemas para viver. Eles existem e isso os satisfaz. Sua condição não permite se imaginarem mais felizes do que já, e como, são. Entretanto o homem é,  ou em algum momento assim se percebeu, auto-consciente. Saber que sabia foi um momento de sua história no qual sua existência se tornou um problema, uma insatisfação, algo a ser resolvido no meio de infinitas possibilidades que vão se revelando à inteligência e, através dela, ganhando complexidade e profundidade intelectual. Com tantas opções, viver, que era um fato consumado, se tornou um problema a ser pensado. Viver, que para todos os animais é uma satisfação involuntária, para o homem se tornou um julgamento Continuar lendo

Conhecer para experimentar, experimentar para conhecer

De um modo geral, o Cristianismo e outras religiões, passaram a ser conhecidas através de informações, fatos e conhecimento pronto. Grande parte dos próprios cristãos conhecem mal sua religião. A seguem porque seguiam seus pais e não tem qualquer interesse em conhecer o que exatamente eles seguiam. Seguir algo sem conhecer pode ser perigoso. Também não é possível conhecer tudo, nem mesmo quase tudo, sobre aquilo que seguimos, entretanto enquanto caminhamos não podemos nos furtar do aprofundamento. Esse aprofundamento é que vai nos levando a conhecer, por nossa própria experiência, uma tradição, suas práticas e entendimentos. Continuar lendo

Deus é simplesmente a realidade.

Deus é simplesmente a realidade, aquele instante do tempo que de tão curto se rompe na eternidade – ou seria rompido pela eternidade? Por isso, quanto mais atento estamos ao momento mais presente que podemos conhecer, tanto mais mergulhamos no tempo. O passado está no instante anterior, o futuro no instante seguinte, e no agora está toda a eternidade, pois nele é que conhecemos o Deus que É e apenas nele podemos ser.

Deus é a última realidade em todas as realidades de forma que só pode ser conhecido segundo a única realidade.