SE (Rudyard Kipling)

“Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas
Em armadilhas as verdades que disseste,
E as coisas, por que deste a vida, estraçalhadas,
E refazê-las com o bem pouco que te reste…”

O poema “SE”, abaixo, é  de Rudyard Kipling, autor Indo-Britânico de clássicos da literatura infantil, traduzido por Guilherme de Almeida.  No último verso fiz uma alteração, como na tradução de Victor Vaz da Silva, que  mantém uma referência religiosa. O primeiro optou por manter a rima, como no texto em Inglês, entretanto em alguns momentos a tradução de Victor preserva mais a clareza em relação ao sentido de alguns versos e pode ser encontrada na Internet. Ao final pode ser lido o texto no original. Espero que apreciem o poema, reflitam com sabedoria e compartilhem dúvidas e entendimentos.

Paz

* * *

SE (Rudyard Kipling)

Se és capaz de manter a tua calma quando Continuar lendo

Termos

Aqui, tantos sons! Músicas eletrônicas e discussões, obras na rua e sorrisos freiados, risados e engraçados, somos confissões espalhadas de uma vida inflamada. Deitado assisto, de olhos fechados, com o sol que me olha atravessado, na brecha azul que resta entre a janela à três pés do muro alto. Ricocheteando sua luz na mata, que dele pende, molhada, que com ele tende, cair. Seria dia, até de madrugada. Entrando pontilhado, sol das quatro, pela cortina de renda branca, no fim de tarde da minha quarta, movimentando-se com a brisa que, brisando, me espreguiça por todo quarto. Iluminado, o mudo criado do canto, sugere à madeira repouso a poeira, onde deita seu manto, depois de revelada, dourada rota, do sol ao abajur, que espera sua hora. Equanto a hora espera esquecer, cada momento passado, cada dia, cada ser.

Sol que brilhava sobre aqueles velhos homens, antigos nomes, para os quais jamais exitiria, existiu, ou existirá, como brinquedo de passear, foguetes espaciais. Homens que lá estavam, a esperar, nos fins de tarde, sem quartas, em alaúdes medievais; a hora da ceia, de ceia em ceia, a hora de restar. Restando apenas amar o derradeiro momento que nem as estórias, guardada como o quê resta, haveria de guardar, aquele que restou. Debaixo do sol que nada fica, fica a semente daquele que eternizou, tudo em si, quando no chão quente daqui deitou, e assim, amou.

Silencioso momento, que une os tempos, acolhe eventos. Que tudo passa e tudo transforma. No qual o homem encontra um termo, e que humilde silencia pois também sabe que sem a vida, teria o tempo, lá, sem qualquer som, seu termo.

Pensando em gratidão

Quão lindo não é a gratidão e o respeito que se nos faz renascer pela mão que nos estende, pela disposição de espírito, o solidário. Mão que lança luzes a vida, revela esperanças veladas, pela concretização do amor que já liberta enquanto somos resgatados da queda. Na reabilitação de nossas forças na crença e na vontade de retribuir, de também sermos nós ajudantes; senão, e felizmente não, na moeda que queríamos, na moeda que temos. Aprendendo do impulso de quitar a dívida que, na impossibilidade, nos mantém eternamente gratos. Ainda mais quando, aceitando nossa moeda, nos permitem ser objeto da gratidão. Continuar lendo

Palavras pesam

As palavras pesam.

Falar é dar vida as idéias. As palavras pronunciadas mais revelam aquele que fala do que a verdade que se quer revelar. É gerada na vontade de expressar, mas herda o coração, que bate na língua, de quem se põe a falar. Com ela se edifica a paz, mas com mesma ortografia, também a destruição, pois ainda que não mude letra, muda-se a intenção.

Falar demais dá vida a futilidades e idéias retóricas que transformam a doce aceitação numa acusação de paternidade sobre a qual nos reconhecemos responsáveis. Depois de ditas não se pode diserdá-las. Ou aprendemos a transformá-las ou fazemos do mundo um depósito estéril de palavras mortas.

As palavras pesam principalmente porque nos cobram coisas que não compreendemos ou não nos importam realmente. Criamos uma realidade irresponsável que pode ser acreditada por outra pessoa, ou por nós mesmos. Pesam ao nos apontarem os prejuízos que causamos quando, não nos importando com o que estamos dizendo, estamos sendo ouvido por alguém que se importa com o que está sendo dito.

As palavras pesam e precisam ser descarregadas ou acolhidas.

Por isso é muito importante aprender a usar as ferramentas de transformação de tudo aquilo que nasce da intemperança, da imprudência e da nossa insensatez. Ferramentas que transformam e nos reconciliam, além de tudo, com nós mesmos. Eis o perdão. O perdão que pedimos. Esse não deserda nossas palavras, mas transformam elas em marcos visíveis de nosso desenvolvimento. O perdão oferecido. Aquele que não nos transforma em acusadores do erro alheio mas em medicina que cura e ajuda o outro a crescer.

Mas não precisamos descarregar todas as palavras no aliciante convite da língua, transformando o que vemos claramente em algo que não poderemos mais entender. Não precisamos falar cada palavra que se nos apresenta, pois elas podem ser acolhidas e verificadas na paz do silêncio.

Do silêncio que despe as vaidades e necessidades irreais.

Do silêncio que afastam suas letras e, devolvidas ao alfabeto,
nos devolvem a chance de recomeçar.


Com menos letras.


Palavras mais leves.