Vício e Graça

Laurence_Freeman

Espiritualidade em um era secular – Laurence Freeman

TALKS SERIES 2009 B · APR–JUN
LAURENCE FREEMAN OSB

“É muito importante para nós hoje entendermos o que é vício. Num certo sentido vivemos em uma sociedade muito viciada. Toda nossa configuração hoje é socialmente projetada para nos tornar viciados em várias coisas, seja televisão, banda larga, bebida, o uso abusivo de substâncias, seja trabalhar em excesso, ou não trabalhar. Seja numa margem ou noutra nós somos sempre encorajados a depender, a nos tornar viciados. (…) A ligação do pecado não é para com a punição mas para com a graça. Isso é o que São Paulo realmente diz, onde o pecado está presente, tanto mais está a abundância da graça. Onde o há pecado você encontra graça, não punição. “

 O áudio original com a transcrição traduzida para português pode ser acessada no link:  VÍCIO E GRAÇA

Uma Pérola de Grande Valor


Uma tradução livre desse blog do texto de D. Laurence Freeman (OSB). O texto original e material adicional para iniciar grupos de meditação se encontram no link da Escola de Meditação da comunidade: http://www.theschoolofmeditation.org/content/materials-introducing-meditation

Uma Pérola de Grande Valor
Compartilhando o dom da meditação iniciando um grupo.

LAURENCE FREEMAN OSB 

O Reino dos Céus é como um comerciante procurando por pérolas raras; Quando ele encontra uma de grande valor, vai e vende tudo que ele tem e a compra. (Mt 13:45)

Índice

  1. Introdução
  2. O chamado de Jesus
  3. Todos são contemplativos
  4. Por quê os grupos de meditação são importantes hoje
  5. John Main
  6. Um disciplina simples de fé
  7. Partilhando o Dom
  8. Primeiros passos: Primeiros obstáculos
  9. Divulgando
  10. Onde?
  11. Quando?
  12. Quantos?
  13. Como organizar o tempo em grupo?
  14. Conheça os ensinamentos essenciais.
  15. Outras formas de oração
  16. Outras crenças
  17. Sou eu quem deve fazer isso?
  18. Recursos disponíveis.
  19. Amostras de divulgação

APÊNDICES:

  1. Uma proposta para seis semanas introdutórias de um grupo de Meditação Cristã
  2. Coordenações nacionais da Comunidade Mundial
  3. A Comunidade Mundial e outras Comunidades
  4. Contemplação e unidade: uma declaração ecumênica

Atenção, concentração e espera

“A meta mais importante da meditação cristã consiste em consentir que a presença misteriosa e silenciosa de Deus em nós se torne, cada vez mais, não somente uma realidade, porém arealidade em nossas vidas; em deixar que ela se transforme a realidade que dá sentido, forma e objetivo a tudo o que fazemos, a tudo o que somos.”

Novo trecho do livro “A Palavra Que Leva Ao Silêncio” foi adicionado:
ATENÇÃO, CONCENTRAÇÃO E ESPERA.

 

Eucaristia e Silêncio

EUCARISTIA E SILÊNCIO
Leia o texto de D. Laurence no link : Eucaristia & Silêncio
Abaixo um pequeno trecho sobre dois tipos de silêncio encontrados em São Bento.

“… São Bento utiliza duas palavras que nós traduzimos por silêncio: quies e silentium. A quies é o silêncio físico, a ausência de barulho – não bater com as portas, não arrastar as cadeiras, não tossir nem amachucar papeis de rebuçados. É o silêncio que é suposto os bons pais ensinarem aos filhos: discrição e modéstia materiais em que se respeita a presença do outro. A quies torna o mundo habitável e civilizado. Faz infelizmente muitas vezes falta na cultura urbana moderna em que o barulho invade até os elevadores e onde é raro, tanto no tempo como no espaço, podermo-nos encontrar fora do alcance de barulho de origem humana. Até já se vendem capacetes dispendiosos, especialmente concebidos, não para escutar música, mas para nos isolar de barulhos exteriores.

silentium, pelo contrário, não designa uma ausência de barulho mas um estado de espírito e uma atitude consciente da presença dos outros e de Deus. É atenção. Quando uma pessoa se dirige a um padre ou conselheiro para lhe falar de um problema ou de um desgosto, o padre sabe que acima de tudo o que lhe deve dar é atenção. Pode dar-se o caso do seu problema não ter solução e, na maior parte das vezes, as palavras que se espera que tenham alguma utilidade passam ao lado da dor. Escutar com atenção, dar-se a si mesmo, totalmente, no acto de prestar atenção , não se trata de julgar, colocar-se no lugar do outro ou condenar, mas amar. De facto, deste ponto de vista, nada se assemelha mais a Deus do que o silêncio, porque Deus é amor.

Mais tarde examinaremos o sentido do sacrifício da Eucaristia e como este se revela no silêncio. Para já, gostaria de relacionar o acto de atenção com o dom de si… “

D.Laurence Freeman

Decisão pela paz

Thomas Merton diz que “o desejo é a coisa mais importante para a contemplação” (A experiência interior) e Santo Agostinho demonstra essa importância, juntamente com a decisão, ao escrever sobre sua luta espiritual no Jardim de Milão ( Confissões VII, 8).

Em um novo trecho adicionado ao blog, do livro A PALAVRA QUE LEVA AO SILÊNCIO, John Main fala sobre a importância de uma decisão pessoal pela paz.

“… a fonte de nossa calma recém-encontrada em nossa vida diária consiste exatamente na vida de Deus dentro de nós. O grau de paz que possuímos é diretamente proporcional à percepção desse fato vital …”, continue a leitura no link: TEMOS QUE DECIDIR PELA PAZ

Você pode baixar o livro de Santo Agostinho aqui: Confissões

Tempo de espera, tempo de conversão

Uma interessante experiência com meditação com detentos em prisões indianas, relatada no video TEMPO DE ESPERA, TEMPO DE VIPASSANA.

“Luta com todas as forças para que sua ação interior seja semelhante ao modo de ser de Deus e serás capaz de vencer as tuas paixões exteriores” (Miller, Sabedoria dos Padres 44). Seria possível ao homem conhecer o “modo de ser” de Deus? Deus sendo absoluto não teria um “modo” de ser. Simplesmente seria, como a si mesmo define, Aquele que É. No contexto da sabedoria humana acredito se tratar de adequar nossa ação interior à imagem que fazemos de Deus, a maneira como, num primeiro momento, imaginamos que Deus seria. Para Cristãos essa “imagem” de Deus pode ser encontrada em Jesus, mas precisa ser interiormente intuída e desenvolvida para não forçarmos nossa vida como que para dentro dos relatos evangélicos, mas transformar nossa vida numa continuação daqueles salvíficos relatos. A medida que transformamos nossa imagem de Deus, enquanto arquétipo, nos transformamos. Se formos assíduos leitores do Antigo Testamento e o do Novo, talvez possamos perceber que a maneira de se comunicar com Deus, a maneira como Ele era visto e entendido, foi sendo transformada na mesma medida que o homem era, pela Graça, também transformado. A visão dessa transformação talvez seja possível primeira, mas não completamente, através dessa expressão arquetípica. Nela, Deus se encontra somente em nossa mente humana, mas uma visão maior pode revelar que ali Ele se encontra por pura e infinita expansão do  seu Ser. Continuar lendo