Pintando a Paz Perfeita

PINTANDO A PAZ PERFEITA
Conto Chinês

Um imperador Chinês da Dinastia Tang, época de ouro da cultura chinesa (há mais ou menos 1.300 anos), resolveu fazer um concurso de pinturas na China. Como nesta época as artes floresciam como nunca mais floresceram no país, era a oportunidade de grandes gênios, famosos e anônimos, mostrarem seu talento. O tema escolhido era “A Paz Perfeita”.

Artistas de toda China se inscreveram, as obras ficaram expostas no palácio para que o imperador, ouvindo a opinião da corte, examinasse e decidisse qual seria a gravura vencedora. Eram diversos tipos de pintura: rostos alegres de criança no colo de suas mães, casais enamorados de mãos dadas sob a luz da lua, pessoas dormindo serenamente num jardim florido, guerreiros recebidos com aplausos pelo povo, sol radiante entre montanhas verdejantes, cisnes brancos deslizando nas águas calmas de um lago, etc…

Os traços eram magníficos, pareciam cenas reais…

Contrariando os palpites da corte, o imperador declarou vencedor um quadro assustador: uma encosta montanhosa, tendo abaixo um profundo precipício, mergulhados na escuridão da noite, assolados por ventos furiosos e raios de uma forte tempestade…

Os membros da corte e os outros artistas presentes não concordaram com o resultado, indagaram ao imperador o motivo da escolha bizarra, que estava mais para o “perfeito inferno”. Justificou o imperador:

“– Estar em paz quando se é protegido por alguém, quando se desfruta de amor e reconhecimento, quando tudo inspira conforto e segurança é fácil, isso é uma paz imperfeita, pois é frágil e ilusória, pode acabar a qualquer momento”…

Continuou o Imperador, apontando o dedo para um detalhe de tão pequeno, quase imperceptível na paisagem desoladora exposta na pintura escolhida:

“– Enfrentar a adversidade, quando tudo aparenta ser ameaçador, inseguro e cheio de riscos, e ainda sim não se intimidar, é o que chamo de ‘A Paz Perfeita’”…

O detalhe quase perdido naquela paisagem de aparência infernal era um aconchegante e frágil ninho, construído numa das frestas da gigantesca encosta. Nele três filhotinhos indefesos de pardais dormiam serenamente, totalmente alheios à tormenta ao redor…

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