Livro “Os Quatro Amores” – C.S.Lewis

Do Livro “Os Quatro Amores” de C.S Lewis
Capítulo 1 – Afeição

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” A Afeição como já disse é o amor mais humilde. Não se dá ares. As pessoas podem mostrar-se orgulhosas por estar enamoradas ou por causa de uma amizade. A Afeição é modesta – até mesmo tímida e envergonhada. Certa vez quando comentei sobre a afeição que se observa com freqüência entre cão e gato, um amigo replicou: “É verdade. Mas aposto que nenhum cão iria confessar isso a outro”. (…) O mesmo acontece com muitos daqueles por quem temos esse sentimento. Não é uma prova de nosso refinamento ou discernimento o fato de as amarmos, nem o de que elas nos amam. (…) No geral é necessária a ausência ou a morte para que passemos a louvar aqueles a quem somente a Afeição nos prende. Nós os tomamos por certos, e este sentimento, que seria uma afronta no amor erótico, é aqui correto e adequado até certo ponto. Encaixa-se na natureza confortável e tranqüila do sentimento. (…)

A afeição não seria afeição se fosse ostentosa e expressa com freqüência; produzi-la em público é o mesmo que tirar nossa mobília de casa para uma mudança. Ela parecia adequada no lugar em que estava, mas se nos afigura envelhecida, espalhafatosa ou grotesca à luz do sol. (…) Ela faz parte das coisas privadas, humildes, como uma simples roupa de baixo. Chinelos macios, roupas velhas, velhas anedotas, o bater da cauda de um cachorro sonolento no chão da cozinha, o som da máquina de costura, uma boneca deixada no jardim. Devo porém corrigir-me imediatamente. Estou falando da Afeição como ela é quando isolada dos outros amores. (…)


Fazer um amigo não é o mesmo que tornar-se afeiçoado. Mas quando seu amigo se torna um velho amigo, todas aquelas coisas nele que inicialmente nada tinham a ver com a amizade se tornam familiares e queridas com a familiaridade (…) Quanto ao amor erótico, não posso imaginar nada mais desagradável do que experimentá-lo por mais do que um breve período sem esta roupagem caseira da afeição. (…) No momento em que alguém diz, com sinceridade, que embora não seja “do meu tipo” ele é um bom sujeito “a seu modo” é um momento de libertação. Não sentimos isso, mas podemos apenas sentir-nos tolerantes e indulgentes. Entretanto, na verdade, acabamos de cruzar uma fronteira. Aquele “a seu modo” indica que estamos superando as nossas idiossincrasias, que estamos aprendendo a apreciar a bondade e a inteligência por si mesmas, e não simplesmente bondade e inteligência temperadas e servidas para agradar apenas ao nosso paladar. (…) “Cães e gatos deviam ser sempre criados juntos”, disse alguém, “isso ajuda a alargar a mente deles.” (…)


A Afeição alarga a nossa. De todos os amores naturais é o mais universal, menos afetado, mais amplo. As pessoas com quem você entra em contato na família, na escola, no restaurante, no navio, na casa religiosa, são deste ponto de vista um círculo mais amplo do que os amigos, por mais numerosos, que você fez no mundo exterior. Pelo fato de ter muitos amigos não provo possuir uma ampla apreciação da excelência humana. (…) A apreciação verdadeiramente ampla pela humanidade irá igualmente encontrar algo de que gostar em qualquer grupo representativo da mesma que venha a encontrar diariamente. Em minha experiência é a Afeição que cria este gosto, ensinando-nos primeiro a notar, depois a tolerar, a sorrir, a gostar e finalmente a apreciar as pessoas que “acontece estarem ali”. Feitas para nós? Graças a Deus, não. São elas mesmas, mais estranhas do que teria acreditado e valendo muito mais do que pensávamos. (…)

Aproximamo-nos agora do ponto perigoso. A Afeição, disse eu, não se dá ares; a caridade, disse Paulo, não se ensoberbece. A afeição pode amar os que não possuem atrativos; Deus e seus santos amam os que não são dignos de amor. A Afeição “não espera demasiado, fecha os olhos para as faltas, renova-se facilmente depois das discussões; a caridade também é longânime, é bondosa e perdoa. A Afeição abre nossos olhos para a bondade que não teríamos visto nem apreciado não fosse por causa dela. O mesmo acontece com a santidade humilde.(…)

O amor (desta espécie) é na verdade suficiente? As “afeições domésticas”, quando desenvolvidas num grau levado e pleno, se identificam com a vida cristã? A resposta para todas essas perguntas é um redondo “não”. Não me refiro simplesmente ao fato de esses novelistas terem algumas vezes escrito como se jamais tivessem ouvido falar do texto sobre “odiar” esposa e mãe e também a própria vida. Isso é naturalmente verdade. A rivalidade entre todos os amores naturais e o amor de Deus é algo que os cristãos não ousam esquecer. Deus é o grande Rival, o supremo objeto da inveja humana; aquela beleza, terrível como a de Górgona, que pode a qualquer momento roubar de mim (ou que a meu ver é um roubo) o coração da esposa, marido ou filha. A amargura da incredulidade de alguns, embora disfarçada até mesmo daqueles que a sentem em anti-clericalismo ou ódio da superstição, é na realidade devida a isso. Não estou porém pensando no momento nessa rivalidade; teremos de enfrentá-la mais adiante. Nosso assunto presente é mais “terreno”.

3 comentários sobre “Livro “Os Quatro Amores” – C.S.Lewis

  1. É na família que aprendemos a amar. O amor dos pais e o amor dos esposos entre si dão segurança aos filhos. Crianças que crescem em um lar sem amor, ficarão afetivamente desnutridas para o resto da vida.

    O ser humano é o ser vivo que nasce mais impotente e desarmado, portanto, o mais carente de cuidados. Por longos anos, a mãe e o pai deverão cuidar do seu filho, até que ele tenha condições de encarar a vida sozinho e formar um novo núcleo familiar. Nascido no final de uma guerra civil impiedosa, eu recebi todos os cuidados familiares que uma criança frágil precisava para sobreviver. Na minha memória afetiva, conservo nítida a lembrança do meu pai, levando-me de bicicleta até uma praia, para tomar banhos de mar, como o médico tinha prescrito. Não só o amor do pai e da mãe é insubstituível, nos primeiros anos da vida, como também o amor dos irmãos e dos demais membros da família. Os avós, os tios e as tias, os padrinhos, os primos e as primas continuam sendo importantes, muito embora o contexto social contemporâneo tenda a reduzir os laços familiares ao núcleo central. Nos primeiros anos da vida, a presença feminina é mais importante do que a masculina. O “paradigma do cuidado” é mais característico do universo feminino, enquanto o “paradigma da justiça” seria mais próprio do mundo masculino1. No entanto, a influência de uma super-mãe possessiva e de um pai ausente ou apagado pode ter conseqüências negativas para o filho, particular mente na área da identidade sexual. C.S Lewis chama o amor familiar de “afeição”. Os gregos o designavam com o termo storge (com som de “g” forte). Storge é forma substantivada do verbo stergo, que significa “amar com ternura”. Diz-se, sobretudo, do amor dos pais pelos filhos e dos filhos pelos pais. A afeição ou amor à família é o mais comum e difundido dos amores, um amor caseiro, muito menos badalado que os namoros, casamentos e divórcios dos artistas de cinema e TV. Trata-se de um sentimento modesto e silencioso, que raramente se expressa em voz alta, mas todos sabemos o quanto a desaparição dos nossos parentes nos afeta, produzindo em nós um sentimento de abandono e solidão. O amor de afeição colabora e ajuda os outros amores, sem confundir-se com eles. De um amigo muito querido dizemos que é “como um irmão”. E até no amor entre homem e mulher, os amantes podem chegar a uma confiança tão familiar, que não precisem conversar, nem fazer mais nada, para sentir-se bem juntos. No começo da vida, é natural que o cuidado, nascido do amor familiar, seja maior dos pais para com os filhos, que dos filhos para com os pais. No final da vida, porém, a situação se inverte: os pais anciãos e/ou doentes carecem de maiores cuidados do que os filhos. O respeito e o amor dos filhos e dos netos dá sentido e alegria à vida dos pais e dos avós. Meu pai morreu, aos 80 anos, com a doença de Parkinson; minha madrasta, portadora do mal de Alzheimer, faleceu este ano, aos 94 anos. Suas mortes, mesmo acolhidas na fé e na esperança cristã, deixaram-me humanamente mais pobre, aumentando a distância que me separa de minha infância e juventude. A afeição familiar, porém, como todo amor humano, é um sentimento ambíguo. Basta pensar nos excessos da autoridade patriarcal, na violência doméstica, nos casos de abuso e exploração dos filhos e demais patologias da família. O pai de um dos cinco jovens cariocas que recentemente roubaram e espancaram uma empregada doméstica, defendeu o filho. Seu amor de pai não podia sofrer que seu filhinho ficasse preso, junto com bandidos. Contudo, na sociedade atual, a família, embora pareça ter perdido parte do seu caráter sagrado, continua sendo a instituição mais sólida e a principal fonte de felicidade, de preocupação e de cuidado. É na família que todos nós aprendemos a amar. O amor dos pais e o amor dos esposos entre si dão segurança aos filhos. Pelo contrário, crianças que crescem em um lar sem amor, ficarão afetivamente desnutridas para o resto da vida. O pai da independência cubana, José Marti, escreveu: “Coração que leva partida a âncora fiel do lar vai como barco perdido que não sabe p’ra onde vai”

  2. AUTO BIOGRAFIA
    Do Encenador Efraim Dala Cuteta

    Efraim Dala Cuteta (Cuteta), Filho de Vasco Cuteta e de Marta Dala, nascido em Luanda no Município de Cazenga Bairro Vila da Mata, aos 07 de Marco de1990.

    BI nº 003785267LA038, passado pelo arquivo de identificação de Luanda ao 26 de Maio de 2009.

    Actor desde menino, e o seu nome artístico e Cuteta. Começa pelo Teatro, depois a paixão pela percussão da literatura (em 2005), prosseguindo assim deste modo o desenvolvendo da sua carreira como Actor Encenador e Autor

    2000, começa a sua compaixão pela arte Teatro (por intermédio do Grupo Teatral Etu Lene, com a inspiração da peca o feiticeiro e o inteligente).

    No dia 25 de Maio do ano 2003 começa a estreia da sua carreira artística, por intermédio de participação de um festival de teatro na comunidade estudantil, que realizou se na sua escola natal, e que por seu destaque e dedicação, os júris classificara-lhe perante algumas figuras publicas (Cabingano Manuel, O Exmo. Encenador, Nunes Correia Bali Chionga-Direictor da Escola Organizadora, e alguns actores da telenovela Revira Volita), de que o actor revelação É o actor Efraim Dala Cuteta (Cuteta).

    Portanto, Desde muito cedo orientou a sua expressão artística pelo chamamento da ruralidade representando, através da orientação de um director artístico, mais o seu lado infantil nunca deixou de adormecer na sua carreira.

    Depois da continuidade de uma carreira brilhante no mundo do teatro, fez então a promulgação da fundação de uma Companhia Teatral, que por suas habilidades, ele sentia se cheio de Atracão sobre o crescer do desenvolvimento Teatral. Foi ai que dissídio então criar a companhia para o Bem-estar da sociedade e da sua estabilidade cultural, mas em prol do Teatro que por si Sacrificadamente mais conseguiu ingressar ao Teatro no dia 25 de Maio do ano 2000. Por experiência, habilidade e dedicação. Consegui então promulgar a fundação em 07 Marco De 2005, que depois de ter passado então assim em várias fazes de ultrapasso de Empecilho na perspectiva da mesma fundação.

    Efraim Dala Cuteta (Cuteta), E um jovens, cujo os seus objectivos cinge no enfrentar para o desenvolvimento da cultura. A sua forca nutris esta na emancipação Teatral por esta extensa Angola e em particular por esta Cidade Capital. Por dedicação científica e cultural, o Efraim Dala Cuteta torna-se a cada vez mais um Encenador Exemplar em todos os aspectos da vida por esta fase da sua Juventude. Aprova de tudo isso, são todos os membros que por ele e ensinado, acabam por apresentarem-se razoavelmente com uma educação Cultural… que o mesmo tem os conduzido bem.

    Agora, Efraim Dala Cuteta (Cuteta), aposta no Teatro como critério de verdade, na razão como sendo um caminho cauteloso
    O Bibliógrafo
    _____________________
    Efraim Dala Cuteta

    Elaborado pela direcção da Companhia EDC-Teatro em Luanda aos 16 de Junho de 2011 E-mail: companhiaedcteatro@hotmail.com fone: 915457736 / 931815681

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