Padres do Deserto – A Vida de Santo Antão

“Santo Antão do Egito foi um dos padres do deserto no século III, considerado o fundador do monasticismo cristão. Sentiu-se chamado a viver num local muito abandonado, num cemitério, onde as pessoas diziam que almas andavam por lá. Por isso, era inabitável. Ele não vivia de crendices; nenhum santo viveu. Então, foi viver neste local. Na verdade, eram serpentes que estavam por lá e , por isso, ninguém se aproximava. A imaginação humana vê coisas onde não há. Santo Antão construiu muros naquele lugar e viveu ali dentro, na penitência e na meditação. As pessoas eram canais da providência, pois elas lhe mandavam comida, o pão por cima dos muros; e ele as aconselhava. Até que, com tanta gente querendo viver como Santo Antão, naquele lugar surgiram os monges. Ele foi construindo lugares e aqueles que queriam viver a santidade, seguindo seus passos, foram viver perto dele. O número de monges foi crescendo, quando iam se aconselhar com ele, chegavam naquele lugar vários monges e perguntavam: “Onde está Antão?”. E lhes respondiam: “Ande por aí e veja a pessoa mais alegre, mais sorridente, mais espontânea; este é Antão”. 

“Assim vivia Antão e era amado por todos. Por seu lado, submetia-se com toda sinceridade aos homens piedosos que visitava, e se esforçava por aprender aquilo em que cada um o avantajava em zelo e prática ascética. Observava a bondade de um, a seriedade de outro na oração; estudava a aprazível quietude de um e a afabilidade de outro; fixava sua atenção nas vigílias observadas por um e nos estudo de outro; admirava um por sua paciência, a outro por jejuar e dormir no chão, considerava atentamente a humildade de um e a paciente abstinência de outro; e em uns e outros notava especialmente a devoção a Cristo e o amor que mutuamente se tinham [16]. Havendo-se assim saciado, voltava a seu lugar de vida ascética. Então se apropriava do que havia obtido de cada um e dedicava todas as suas energias a realizar em si as virtudes de todos (17). Não tinha disputas com ninguém de sua idade, nem tampouco queria ser inferior a eles no melhor; e ainda isto fazia-o de tal modo que ninguém se sentia ofendido, mas todos se alegravam com ele. E assim todos os aldeões e os monges com os quais estava unido viram que classe de homem era ele e o chamavam “o amigo de Deus” (18), amando-o como filho ou irmão” 

A história de Santo Antão é fonte de inspiração e sabedoria para àqueles que verdadeiramente buscam se manter na presença de Deus segundo seu próprio chamado, segundo a pessoa que se é. É um conselheiro que atravessa os séculos e nos incentiva a perseveramos no conhecimento de Deus em nós e entre nós. 

Livro: A Vida de Santo Antão do Egito por Santo Atanásio de Alexandria

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