Conhecer para experimentar, experimentar para conhecer

De um modo geral, o Cristianismo e outras religiões, passaram a ser conhecidas através de informações, fatos e conhecimento pronto. Grande parte dos próprios cristãos conhecem mal sua religião. A seguem porque seguiam seus pais e não tem qualquer interesse em conhecer o que exatamente eles seguiam. Seguir algo sem conhecer pode ser perigoso. Também não é possível conhecer tudo, nem mesmo quase tudo, sobre aquilo que seguimos, entretanto enquanto caminhamos não podemos nos furtar do aprofundamento. Esse aprofundamento é que vai nos levando a conhecer, por nossa própria experiência, uma tradição, suas práticas e entendimentos.

Julgar o entendimento é algo que só pode ser feito, na esfera da religião, segundo uma experiência pessoal. A falta de uma busca por aprofundamento daquilo que se segue leva muita gente a pular de uma religião para outra até que, pelo que essa postura já indica ,e por cansarmos a esperança no papel de juiz insatisfeito, chegue, finalmente, a nenhuma.

Um exemplo do qual posso falar é o fato de que muitos cristãos, principalmente os católicos, desconhecem a profundidade de sua religião e vivem em crise de fé na superfície de uma rotina puramente dominical. Sem qualquer experiência. Não porque a liturgia e os ritos parecem distante de sua realidade, mas porque levam para a Missa uma realidade que precisa ser mudada, e ao invés de deixá-las ali, colocam-se a buscar explicação lógica para ela. Não obstante também fazem da Missa ponto de encontro para troca de receitas. A carta que São Paulo escreveu aos Romanos deixa bem claro que não será pela Lei que encontraremos a justificativa, mas pela fé. Entretanto não se pode negar a Lei porque ela será transformada, de causa da salvação, em conseqüência natural da busca na fé. E é pela fé que a experiência pode se manifestar, independente do grau de conhecimento, integrando no corpo da Igreja, de forma plena, aquele que muito sabe com aquele que pouco sabe mas que, pela fé, estão em movimento de aprofundamento no conhecimento que por ela se revela. Então para que o conhecimento? Para que a fé possa ser confirmada. Não no intelecto, também nele, mas primeiramente no novo conhecimento que se abriga no espírito.

Um exemplo simples é o caso da tradição monástica de meditação contemplativa cristã. O centro da oração é a comunhão com Deus e essa comunhão é realizada pelo silêncio de corpo e mente. Incorporado a rotina diária dos monges desde os tempos mais remotos do cristianismo, a prática da meditação entre os cristão, pela natureza daqueles que nela se fazem mestres, não é algo que seja publicado mas que está aberto a quem busca. Atualmente comunidades como a WCCM e monges como Thomas Keating e John Main, procuram levar esse conhecimento de forma mais premente. Mas continuará sempre sendo encontrada, de fato, por quem busca a experiência e não o acumulo intelectual. Esse centro da vida contemplativa é em si a forma de abrir ao mundo a realidade do espírito, pela força da oração pura realizada nessa comunhão, despertando o silêncio para além dos muros do mosteiro. De um modo simples é onde a oração de um afeta a vida de todos. Essa prática meditativa, contemplativa, tem sido utilizada por diversas religiões.

O Cristianismo é muito rico em formas e práticas, mas sua riqueza deve levar a pobreza da realização individual, e ser referência, pois individualmente não se pode exercer todos os modos de vida e práticas que a religião permite sem que com isso esteja sendo desenvolvido orgulho e obsessão. Um monge da Cartuxa não poderia, por sua própria opção, ser um missionário, nem precisaria dada sua vocação, a não ser que estivesse obstinado numa vaidosa competição que naturalmente o tiraria de qualquer prática. Mas o desconhecimento da riqueza de práticas e experiências, levam a pessoa a simplesmente mudar para aquilo que facilmente lhe chega ao conhecimento, sem busca pessoal que indique uma necessidade real, ainda que isso signifique ficar dando guinadas na sua vida sempre que algo desagrade. Diga-se de passagem que hoje tudo chega ao conhecimento de forma banal, excessiva e correlacionadas de qualquer forma. Não obstante até mesmo irão se indispor com toda a religião porque a tradição que conhecem, ou as práticas que realiza, não a realizam em Deus de forma experiencial.

Não se pode abandonar a busca e o aprofundamento daquilo que se tem. Não se pode julgar o que se tem se não lhe é possível experimentar aquilo que conhece. E julgar o que pouco conhece certamente terá um único destino: o erro.





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