Pensando em gratidão

Quão lindo não é a gratidão e o respeito que se nos faz renascer pela mão que nos estende, pela disposição de espírito, o solidário. Mão que lança luzes a vida, revela esperanças veladas, pela concretização do amor que já liberta enquanto somos resgatados da queda. Na reabilitação de nossas forças na crença e na vontade de retribuir, de também sermos nós ajudantes; senão, e felizmente não, na moeda que queríamos, na moeda que temos. Aprendendo do impulso de quitar a dívida que, na impossibilidade, nos mantém eternamente gratos. Ainda mais quando, aceitando nossa moeda, nos permitem ser objeto da gratidão.

Mas quão desalentador não é a mão estendida que, ao nos erguer, informando o custo e recebendo em outra moeda, nos solta para apontar-nos o dedo, nos acusando a evidência de que estamos caídos. Acusando-se a si mesmo de inefável orgulho. Julgar os outros é muito fácil quando se é auto-indulgente demais no próprio julgamento. E nessa facilidade está toda sorte de injustiça e impiedade, concretizada no excesso com o qual se pretender realizar sua justiça ou revelar uma verdade – muitas vezes tratando como extraordinário algo ordinário. Como diz o provérbio, excesso de justiça é uma grande injustiça. Pois ignora todas as dimensões de uma pessoa, de uma vida, de uma circunstância, para evidenciar apenas uma – aquela que é conveniente, ora para sua elevação, ora para adular sua moral. Dessa forma, se vê roubado de si, diante desse tipo de julgamento, a naturalidade e espontaneidade de sua gratidão para com aquele que, então, se faz juiz.

Mas a retidão do julgamento é transformada em confusão, pois nela é mais fácil a auto-indulgência funcionar com liberdade acusadora e ao mesmo tempo estar convicta de sua humildade e inocência. Eis que a gratidão, quando verdadeira, une mesmo a confusão. Faz de duas partes quebradas, um inteiro e uma esperança. A gratidão, quando não encontra um destino, volta a sua fonte e, estando nela, emana transcendente para todos os lados transformando, sem autoria visível, um grande amontoado de emoções e inversões em argumento fundamental para riqueza e diversidade da existência – e assim como num ferro velho, o cheiro mais forte é o da novidade, da criatividade, das possibilidades.

Basta que silenciem um pouco os pensamentos, deixe de usá-lo para controlar as respostas que mundo deve dar, e o que surgirá será inspirador. Se não for, virá a ser – pelo menos, diferente.

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