A razão promove a fé.

Santo Agostinho faz também sua relação, baseada numa filosofia Patrística, sobre a fé e a razão. Ele acredita que a fé é o caminho para se atingir o conhecimento sobre uma verdade primeira, uma causa motora que por ser total não pode ser movida, mas a tudo move, entretanto sustenta que a fé prescinde de um trabalho da razão.

Quando entendemos o espírito como algo anterior ao corpo, que dele se serve para fins que a razão não pode realizar, estamos, ao que parece, concordando que há algo que, por existir antes e propagar-se depois, é, se não eterno, mais permanente, se não infinito, mais extenso. Diante disso a razão foge reconhecer que suas verdades são como um pequeno arranjo circunstancial de conhecimentos que, como diriam os próprios céticos, não podem fundamentar qualquer verdade por ter sua origem na percepção sensorial, que é variável, inconstante e imperfeita. No anseio pelo absoluto que foi plantado em cada um de nós, a razão faz o possível para nos convencer de ser, ela própria, a virtude por excelência, pois parece se envergonhar diante da imensidão que ela pode vislumbrar mas não lhe é inteligível.

Reescrevendo a linha acima numa forma mais mirabolante, ou seja, de forma mais adequada com esses assuntos (risos): A razão, por ser a propriedade humana que nos define, nos afeta e é afetada. Contamina, e é contaminada. Quando de nossa vaidade, não quer perder a autoridade sobre o conhecimento. Quando do nosso ciúme, nos impede de ir além do pequeno espaço em que nos aprisionou. Quando do nosso orgulho, orgulhosa de si mesma, nos faz sentir como loucos sempre que olhamos além, para que desistamos “racionalmente” de buscar algo maior que ela, com inveja dos conhecimentos e verdades permanentes que ela jamais poderia nos dar, e tão pouco inteligir.

Dizer que a fé prescinde de um certo trabalho da razão e, ao mesmo tempo, que a fé é o meio de acessar as verdades essenciais, guarda em segurança toda a dignidade da razão. A razão pode ser aprisionada por nossas limitações e, por sua vez, nos aprisionar nas suas para se proteger daquilo que, na verdade, é a sua libertação e glória. A sublimação de sua dignidade: entregar toda sua capacidade de relações lógicas e ponderações filosóficas aquilo que pode pressentir, sabendo jamais compreender, permitindo ao homem a virtude a integralidade do ser. A fé.

Para que a fé possa se desenvolver, a razão precisa permitir. Mas a decisão que querer já fornece argumento suficiente para a razão ceder, se não por dúvidas, por cansaço.

Se livra, a razão, do peso de nos ocultar o que há além de suas capacidade por medo de ser abandonada à loucura. A religião se torna o trilho para a fé, mas ai seria outro post.

Um comentário sobre “A razão promove a fé.

  1. Ricardinho,
    Belo pensamento. Suas especulações vem sendo objeto da minha comunhão contigo.
    Continue nesta seara!
    Abs
    seu primo mais velho ( … nem por isso mais novo rsrsrsrs )

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