Compromisso com as escolhas

A falta de compromisso com que algumas pessoas realizam suas escolhas, buscando através delas satisfazerem condicionalismos e desejos sobre os quais pouco ou nada conhecem, acaba por sedimentar, no leito do coração, valores violentamente abortados pela contingência irresponsável de algumas escolhas.

Quando fazemos escolhas apenas em vista das inconstantes expectativas sociais que nos força e seduz, perigosamente, a estarmos sintonizados a um grande conjunto de valores incompatíveis que definem as diversas identidades sociais, ou apenas para satisfazer uma subjetiva, descartável e promocional idéia de prazer apresentada como compensação benéfica às consequências da superficialidade das escolhas, por sua vez justificadas na autovitimação, então estamos refletindo a falta de compromisso com a qual nos tratamos e tratamos os outros. Assoreamos à nós mesmos com toda espécie de resíduos, de tal forma que deixamos de ser um rio profundo, rico em vida, para nos tornar um aterro que acabaremos encarando como sanitário. Escolhas descompromissadas ocultam do coração não apenas as questões fundamentais sobre a existência mas também a própria sensibilidade que, como ferramenta, conduz a uma busca por coerência e verdade, ainda que no nível mais simples de nossas vidas.

O homem acredita em qualquer coisa que seu olhos não possa ver, basta que lhe seja conveniente. Entretanto, quanto ocorre o inverso, nem que os olhos vejam ele se dispõe a acreditar. Qualquer um acredita, por exemplo, em sorteios da mega-sena sem nunca ter acertado a quina e nem mesmo visto um vencedor. Acreditam no paraíso, mas só quando existe integração com o metrô. Caso não seja possível, moldam o paraíso segundo sua conveniência que, acreditando de tal forma em sua autonomia, criam as verdades necessárias para não se dobrarem àquelas que podem vir, ainda que remotamente, causar algum tipo de desconforto. Essa postura ignora que em algum nível será preciso acreditar em verdades que não se deixam experimentar antes de acreditá-las e que trarão incertezas naturais e inevitáveis. Dobrar-se à elas para conhecer o que dela decorrem é tão necessário quanto é, para matemática, aceitar o número 1 sem nunca poder contar o infinitésimo que o antecede, um infinitésimo que não gera insegurança com o troco da padaria mas que causaria um desastre balístico.

O drama que surge quando as diretivas que guiam o homem não passam de criações da conveniências, sem qualquer compromisso com uma coerência pessoal, pode ser uma angustiante constatação da incapacidade de refazer os limites que definem uma pessoa sem que esta se dobre, de forma ainda mais contundente, àquelas verdades das quais, por conveniência, sem qualquer probidade, refutava.

Talvez a grande dificuldade de escolher para além da conveniência seja as exigências decorrentes dessa escolha. As pessoas, de um modo geral, prescentem que devem buscar uma coerência entre o que acreditam e o que fazem. Também sabem que aquilo que fazem determinam, em grande parte, o que conseguem. Então por uma fraqueza de virtude, desinteresse ou descrença em qualquer transcendência, se preocupam em conhecer o que querem suas paixões para então acreditar naquilo que torne coerente esse desejo, seja o que for. Mas nem nisso consegue-se coerência pois basta que seus desejos mudem para que então mude aquilo em que acreditam.

Para que as pessoas possam se compromenter com suas escolhas elas, naturalmente, precisam ao menos de tempo. Tempo para pensar. Tempo para conhecer suas necessidades. Tempo para conhecer a si mesmo e assim conhecer seus limites. Também precisam aprender a se satisfazerem, a aceitar sua realidade e se inserir nela. Viver a própria realidade não é algo que as pessoas saibam fazer. Vivem aspirações e desejos que não nascem da sua realidade e se veem seduzidas a escolhas com as quais não poderão se comprometer. Para que possa se caminhar coerentemente é preciso partir de sua própria realidade sem tomar atalhos, caminhar consigo mesmo e não diante de seus olhos. Somente em sí pode se sentir as necessidades que o momento desperta em nós e, aceitando-as, superá-las conscientemente, com coerência.

A percepção de que o tempo é algo valioso, somado a um mundo que exige respostas e impõe escolhas constantemente, diminuem irresponsavelmente o grau de compromisso devido com as opções que, invariavelmente, irão nos afetar…

A falta de compromisso com que algumas pessoas realizam suas escolhas, buscando através delas satisfazerem condicionalismos e desejos sobre os quais pouco ou nada conhecem, acaba por sedimentar, no leito do coração, valores violentamente abortados pela contingência irresponsável de algumas escolhas.

Quando fazemos escolhas apenas em vista das inconstantes expectativas sociais que nos força e seduz, perigosamente, a estarmos sintonizados a um grande conjunto de valores incompatíveis que definem as diversas identidades sociais, ou apenas para satisfazer uma subjetiva, descartável e promocional idéia de prazer apresentada como compensação benéfica às consequências da superficialidade das escolhas, por sua vez justificadas na autovitimação, então estamos refletindo a falta de compromisso com a qual nos tratamos e tratamos os outros. Assoreamos à nós mesmos com toda espécie de resíduos, de tal forma que deixamos de ser um rio profundo, rico em vida, para nos tornar um aterro que acabaremos encarando como sanitário. Escolhas descompromissadas ocultam do coração não apenas as questões fundamentais sobre a existência mas também a própria sensibilidade que, como ferramenta, conduz a uma busca por coerência e verdade, ainda que no nível mais simples de nossas vidas.

O homem acredita em qualquer coisa que seu olhos não possa ver, basta que lhe seja conveniente. Entretanto, quanto ocorre o inverso, nem que os olhos vejam ele se dispõe a acreditar. Qualquer um acredita, por exemplo, em sorteios da mega-sena sem nunca ter acertado a quina e nem mesmo visto um vencedor. Acreditam no paraíso, mas só quando existe integração com o metrô. Caso não seja possível, moldam o paraíso segundo sua conveniência que, acreditando de tal forma em sua autonomia, criam as verdades necessárias para não se dobrarem àquelas que podem vir, ainda que remotamente, causar algum tipo de desconforto. Essa postura ignora que em algum nível será preciso acreditar em verdades que não se deixam experimentar antes de acreditá-las e que trarão incertezas naturais e inevitáveis. Dobrar-se à elas para conhecer o que dela decorrem é tão necessário quanto é, para matemática, aceitar o número 1 sem nunca poder contar o infinitésimo que o antecede, um infinitésimo que não gera problemas quanto ao troco da padaria, nem o preço do combustível, mas que causaria um desastre balístico.

O drama que surge quando as diretivas que guiam o homem não passam de criações da conveniências, sem qualquer compromisso com uma coerência pessoal, pode ser uma angustiante constatação da incapacidade de refazer os limites que definem uma pessoa sem que esta se dobre, de forma ainda mais contundente, àquelas verdades das quais, por conveniência, sem qualquer probidade, refutava.

Talvez a grande dificuldade de escolher para além da conveniência seja as exigências decorrentes dessa escolha. As pessoas, de um modo geral, prescentem que devem buscar uma coerência entre o que acreditam e o que fazem. Também sabem que aquilo que fazem determinam, em grande parte, o que conseguem. Então por uma fraqueza de virtude, desinteresse ou descrença em qualquer transcendência, se preocupam em conhecer o que querem suas paixões para então acreditar naquilo que torne coerente esse desejo, seja o que for. Mas nem nisso consegue-se coerência pois basta que seus desejos mudem para que então mude aquilo em que acreditam.

Para que as pessoas possam se compromenter com suas escolhas elas, naturalmente, precisam ao menos de tempo. Tempo para pensar. Tempo para conhecer suas necessidades. Tempo para conhecer a si mesmo e assim conhecer seus limites. Também precisam aprender a se satisfazerem, a aceitar sua realidade e se inserir nela. Viver a própria realidade não é algo que as pessoas saibam fazer. Vivem aspirações e desejos que não nascem da sua realidade e se veem seduzidas a escolhas com as quais não poderão se comprometer. Para que possa se caminhar coerentemente é preciso partir de sua própria realidade sem tomar atalhos, caminhar consigo mesmo e não diante de seus olhos. Somente em sí pode se sentir as necessidades que o momento desperta em nós e, aceitando-as, superá-las conscientemente, com coerência.

A percepção de que o tempo é algo valioso, somado a um mundo que exige respostas e impõe escolhas constantemente, diminuem irresponsavelmente o grau de compromisso devido com as opções que, invariavelmente, irão nos afetar…

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